Da postulação da voz passiva pronominal em português: tradição e ruptura no pensamento gramatical brasileiro

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Gláuks - Revista de Letras e Artes

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Dos estudos das construções sintáticas envolvendo o clítico se na língua portuguesa, nenhum tem despertado tanta polêmica – pode-se dizer nos últimos séculos – quanto os que envolvem os valores de indeterminador ou apassivador potencialmente assumíveis pelo clítico. Estudos recentes baseados nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista (BAGNO, 2001; SCHERRE, 2005; OSÓRIO e MARTINS, 2007) tem evidenciado o conservadorismo com que as gramáticas normativas e descritivas continuam a tratar o assunto, denominado habitualmente de voz passiva pronominal ou sintética na gramaticologia luso-brasileira. No presente texto, de uma perspectiva historiográfica, objetiva-se compreender como se formou e se consolidou na tradição gramatical dos estudos do português a descrição das construções com se apassivador/indeterminador. Nesse percurso, analiso os movimentos de tradição e ruptura face à postulação da Voz Passiva Pronominal em trabalhos representativos da tradição gramatical brasileira, compreendidos cronologicamente desde o momento de fundação dessa tradição – na segunda metade do século XIX – até as obras produzidas em finais do século XX.

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