Duas contribuições para a construção da ideia de língua histórica : A filologia e o estudo genealógico das línguas
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Revista de Ciências Humanas
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Embora hoje em dia seja consensual a afirmação de que a Linguística como ciência moderna, fundamentada essencialmente sobre o empirismo e a construção de modelos teóricos, tem seu início na virada dos séculos XVIII e XIX com os estudos histórico-comparativos, a percepção de que a língua é um objeto mutável, isto é, provido de história, é de data bem anterior. De fato, situar o nascimento da linguística como um deus ex machina no início do nove- centos, fazendo tabula rasa das contribuições dos estudos linguísticos feitos desde a Antiguidade (de cariz histórico ou não), equivaleria a desconsiderar o próprio fazer histórico da ciência linguística, senão o da própria história como desenvolvimento contínuo (CÂMARA Jr., 1975). Neste trabalho, sem a pretensão de fazer um esboço linear e exaustivo sobre os períodos históricos e autores – como é comum observar nos manuais de história da linguística – pretendo percorrer, pela evolução do pensamento linguístico, os caminhos trilhados na formação da ideia de língua histórica (COSERIU, 1979 [1958]), privilegiando os momentos que antecedem o “nascimento” da Linguística. Neste percurso, analiso duas tradições específicas: o surgimento dos estudos filológicos na Antiguidade; e a problematização acerca da questão da origem da linguagem 3 , que se construirá orientada para a análise do parentesco interlinguístico. Finalizando o texto, de- monstro como tais abordagens foram importantes para a eclosão do historicismo linguístico, que se tornaria o ponto de vista predominante no século XIX.
