Desta vez eu não desisto: escrevivências de mulheres negras e o retorno à EJA em Círculos de Cultura

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Universidade Federal de Viçosa

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Esta dissertação analisa as narrativas de mulheres negras com mais de 40 anos matriculadas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) de uma escola pública do município de Viçosa-MG, tomando suas histórias de vida e escolarização como saberes legítimos e como dispositivos críticos de leitura da realidade social e educacional brasileira. Ancorada na perspectiva da interseccionalidade, conforme formulada por Kimberlé Crenshaw (1989), e em diálogo com o pensamento feminista negro, a pedagogia crítica e a educação popular — a partir das contribuições de bell hooks (1994; 2017), Lélia Gonzalez (1984), Sueli Carneiro (2003), Angela Davis (2016), Paulo Freire (1987; 1996) e Cíntia Teixeira (2020) —, a análise evidencia que os percursos escolares dessas mulheres não podem ser compreendidos de forma fragmentada ou individualizante. As narrativas revelam experiências marcadas pelo trabalho precoce, pela maternidade, pelo racismo estrutural, pelas desigualdades socioeconômicas e por violências institucionais que impactaram o acesso, a permanência e o retorno à escola. Metodologicamente, a pesquisa inscreve-se na abordagem qualitativa, por meio de encontros coletivos inspirados nos Círculos de Cultura freireanos, nos quais a escuta sensível, o diálogo e a valorização dos saberes populares possibilitaram a construção compartilhada das escrevivências. Esses encontros configuraram-se como espaços de produção de memória, reflexão crítica e ressignificação das trajetórias de vida e escolarização. Os resultados indicam que o retorno à EJA não se configura como simples retomada de estudos interrompidos, mas como um processo complexo de reconstrução identitária, fortalecimento da autoestima, afirmação de direitos e ampliação da consciência crítica. Ao mesmo tempo, evidenciam os limites estruturais da escola em dialogar plenamente com as especificidades das trajetórias adultas, negras e femininas. Conclui-se que reconhecer e legitimar essas narrativas é condição fundamental para a construção de uma EJA comprometida com a justiça social, a equidade racial e de gênero e o direito à educação ao longo da vida. Palavras-chave: educação de jovens e adultos; escrevivências; mulheres negras; escolarização; interseccionalidade; narrativa; educação popular.
This dissertation analyzes the narratives of Black women over the age of 40 enrolled in Youth and Adult Education (Educação de Jovens e Adultos – EJA) at a public school in the municipality of Viçosa, Minas Gerais, Brazil, considering their life histories and schooling experiences as legitimate forms of knowledge and as critical tools for interpreting Brazilian social and educational realities. Grounded in the perspective of intersectionality, as formulated by Kimberlé Crenshaw (1989), and in dialogue with Black feminist thought, critical pedagogy, and popular education—drawing on the contributions of bell hooks (1994; 2017), Lélia Gonzalez (1984), Sueli Carneiro (2003), Angela Davis (2016), Paulo Freire (1987; 1996), and Cíntia Teixeira (2020)—the analysis demonstrates that these women’s educational trajectories cannot be understood in a fragmented or individualizing manner. The narratives reveal experiences shaped by early labor, motherhood, structural racism, socioeconomic inequalities, and institutional violence, all of which have impacted access to, permanence in, and return to school. Methodologically, the study adopts a qualitative, developed through collective meetings inspired by Freirean Culture Circles, in which attentive listening, dialogue, and the appreciation of popular knowledge enabled the shared construction of escrevivências. These meetings functioned as spaces for memory production, critical reflection, and the re- signification of life and educational trajectories. The findings indicate that returning to EJA is not merely a continuation of interrupted schooling, but rather a complex process of identity reconstruction, strengthening of self-esteem, affirmation of rights, and expansion of critical consciousness. At the same time, they reveal the structural limitations of the school system in fully engaging with the specificities of adult, Black, and female trajectories. The study concludes that recognizing and legitimizing these narratives is fundamental to building an EJA committed to social justice, racial and gender equity, and the right to lifelong education. Keywords: youth and adult education; escrevivências; black women; schooling; intersectionality; narratives; popular education.

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CARMO, Elaine Regina do. Desta vez eu não desisto: escrevivências de mulheres negras e o retorno à EJA em Círculos de Cultura. 2026. 110 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2026.

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