Agri‘cultura’ que alimenta a terra: qualidade dos solos de quintais agroflorestais

dc.contributorFernandes, Raphael Braganca Alves
dc.contributor.advisorCardoso, Irene Maria
dc.contributor.authorFigueiredo, Luana de Pádua Soares e
dc.contributor.authorLatteshttp://lattes.cnpq.br/3113872831492712
dc.date.accessioned2026-02-26T13:14:12Z
dc.date.issued2025-06-30
dc.degree.date2025-06-30
dc.degree.departmentDepartamento de Solospt-BR
dc.degree.grantorUniversidade Federal de Viçosa
dc.degree.levelDoutorado
dc.degree.localViçosa - MG
dc.degree.programDoutor em Solos e Nutrição de Plantas
dc.description.abstractO cultivo em quintais é uma das formas mais antigas de uso da terra. Os quintais podem ser definidos como sistemas agroflorestais, pois integram múltiplas espécies de plantas, dentre elas arbóreas e, às vezes, em associação com animais. Apesar da importância dos quintais, poucas pesquisas são realizadas sobre eles e, em geral, as que são feitas não tratam dos solos, em especial da qualidade e da vida destes solos. Objetivou-se compreender o funcionamento e avaliar a qualidade dos solos de quintais de forma dialogada com as agricultoras. Especificamente objetivou- se: i) identificar e analisar as informações e estratégias de manejo agroecológico de quintais realizadas por mulheres; ii) analisar as funções das espécies vegetais e a qualidade dos solos dos quintais agroflorestais utilizando etnoindicadores e; iii) promover o diálogo entre os conhecimentos acadêmicos e populares sobre o manejo do solo. A pesquisa foi realizada em parceria com o projeto GENgiBRe: Relação com a natureza e igualdade de gênero. Uma contribuição à teoria crítica a partir de práticas e mobilizações feministas na agroecologia no Brasil, uma cooperação entre a França e Brasil (Universidade Federal de Viçosa, Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata Mineira e a paulista Sempreviva Organização Feminista). No primeiro capítulo utilizou-se dados secundários das atividades do GENgiBRe realizadas com quinze famílias agricultoras dos municípios de Acaiaca, Divino e Simonésia na Zona da Mata. Nos demais capítulos, pesquisou-se com onze famílias agricultoras das comunidades rurais de Arruda, Curió, Jacinto e Pau de Cedro, localizadas em Viçosa, Minas Gerais. Metodologias participativas foram utilizadas para aprofundar os diálogos sobre a função, o manejo e o uso da terra. Para avaliar a qualidade dos solos utilizou-se etnoindicadores em onze quintais e, para efeito de comparação, em onze roças de milho. Indicadores físicos, químicos e biológicos foram avaliados em solos de três quintais (pomares) e três roças (milho) e de uma mata. Os teores de nutrientes, a densidade, a umidade e a acidez do solo, a capacidade de troca de cátions, a biomassa microbiana, frações da matéria orgânica, teores e estoque de carbono orgânico do solo e a fauna do solo foram avaliados. O manejo dos quintais era realizado majoritariamente pelas mulheres e as roças pelos homens. A adubação dos solos dos quintais foi realizada sem utilização de adubos químicos e agrotóxicos, mas com a utilização de resíduos orgânicos. Nas roças, adubação química e agrotóxicos, principalmente herbicidas, foram utilizados. Os principais etnoindicadores de qualidade do solo identificados foram a cor, a vegetação espontânea, a temperatura e a fauna edáfica. Os quintais possuem aproximadamente 30% de espécies arbóreas e diversidade superior quando comparados às roças. Da diversidade de plantas identificadas nos quintais, 80% foram associadas à alimentação, para consumo próprio ou doações. Os quintais possuem melhores qualidades biológicas, físicas e químicas em relação às roças de milho, com maiores teores de umidade, nutrientes e carbono em diferentes compartimentos da matéria orgânica. A fauna (epigeica e edáfica) também foi mais abundante e diversa nos quintais. As metodologias participativas utilizadas possibilitaram os diálogos e as trocas de saberes sobre a qualidade do solo. Os resultados permitem afirmar que os quintais agroflorestais promovem benefícios para humanos e não-humanos e são sistemas agroalimentares resilientes. Os quintais servem, por isto, como exemplos para conservação do solo e para desenhar agroecossistemas sustentáveis, principalmente frente às emergências climáticas. Os quintais possuem memórias culturais das pessoas que cuidam deles, principalmente as mulheres. Elas são guardiãs da biodiversidade e responsáveis por promover solos mais saudáveis. Palavras-chave: agroecologia; avaliação participativa; etnociências; etnoindicadores; fauna do solo; manejo ecológico do solo; matéria orgânica do solo; mulheres; saberes populares; sistemas agroalimentares resilientespt-BR
dc.description.abstractHomegardens are one of the oldest forms of land use. Homegardens can be defined as agroforestry systems, as they integrate multiple plant species, including trees, and sometimes in association with animals. Despite the importance of homegardens, few studies have focused on them, and those that do generally do not address soils, particularly soil quality and soil life. This study aimed to understand the functioning of homegardens and to assess soil quality through a dialogical approach with women farmers. Specifically, the objectives were to: (i) identify and analyze information and agroecological management strategies of homegardens carried out by women; (ii) analyze the functions of plant species and the soil quality of agroforestry homegardens using ethnoindicators; and (iii) promote dialogue between academic and local knowledge regarding soil management. The research was conducted in partnership with the GENgiBRe project: Relationship with nature and gender equality. A contribution to critical theory based on feminist practices and mobilizations in agroecology in Brazil, a cooperation between France and Brazil involving the Federal University of Viçosa, the Center for Alternative Technologies of the Zona da Mata of Minas Gerais, and the São Paulo–based Sempreviva Feminist Organization. In the first chapter, secondary data from GENgiBRe activities carried out with fifteen farming families from the municipalities of Acaiaca, Divino, and Simonésia in the Zona da Mata region were used. In the subsequent chapters, research was conducted with eleven farming families from the rural communities of Arruda, Curió, Jacinto, and Pau de Cedro, located in Viçosa, Minas Gerais. Participatory methodologies were employed to deepen dialogues on land function, management, and use. To assess soil quality, ethnoindicators were applied in eleven homegardens and, for comparison purposes, in eleven corn fields. Physical, chemical, and biological indicators were evaluated in soils from three homegardens (orchards), three corn fields, and one forest area. Nutrient contents, soil bulk density, moisture, and acidity, cation exchange capacity, microbial biomass, organic matter fractions, soil organic carbon contents and stocks, and soil fauna were assessed. Homegarden management was carried out predominantly by women, whereas crop fields were managed by men. Soil fertilization in homegardens was performed without the use of chemical fertilizers or pesticides, relying instead on organic residues. In crop fields, chemical fertilizers and pesticides, mainly herbicides, were used. The main ethnoindicators of soil quality identified were color, spontaneous vegetation, temperature, and soil fauna. Homegardens contained approximately 30% tree species and showed higher diversity compared to crop fields. Of the plant diversity identified in homegardens, 80% was associated with food production, either for household consumption or donation. Homegardens exhibited better biological, physical, and chemical soil quality than corn fields, with higher moisture, nutrient, and carbon contents across different organic matter compartments. Epigeic and edaphic fauna were also more abundant and diverse in homegardens. The participatory methodologies used enabled dialogue and knowledge exchange regarding soil quality. The results indicate that agroforestry homegardens provide benefits for both humans and non-humans and constitute resilient agri-food systems. Homegardens therefore serve as examples for soil conservation and for designing sustainable agroecosystems, especially in the context of climate emergencies. Homegardens hold the cultural memories of the people who care for them, particularly women, who act as guardians of biodiversity and are responsible for promoting healthier soils. Keywords: agroecology; participatory evaluation; ethnosciences; ethnoindicators; soil fauna; ecological soil management; soil organic matter; women; popular knowledge; resilient agri-food systemsen
dc.description.sponsorshipCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
dc.description.sponsorshipFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG)
dc.description.sponsorshipConselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
dc.identifier.citationFIGUEIREDO, Luana de Pádua Soares e. Agri‘cultura’ que alimenta a terra: qualidade dos solos de quintais agroflorestais. 2025. 241 f. Tese (Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2025.
dc.identifier.doihttps://doi.org/10.47328/ufvbbt.2025.826
dc.identifier.urihttps://locus.ufv.br/handle/123456789/35173
dc.language.isopor
dc.publisherUniversidade Federal de Viçosa
dc.publisher.programSolos e Nutrição de Plantaspt-BR
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectSolos - Qualidadept-BR
dc.subjectEcologia agrícolapt-BR
dc.subjectAgroecologiapt-BR
dc.subjectEtnociênciapt-BR
dc.subjectPesquisa-açãopt-BR
dc.subjectSolos - Manejopt-BR
dc.subjectFauna do solopt-BR
dc.subjectSolos - Conservaçãopt-BR
dc.subjectHumuspt-BR
dc.subjectSolos - Teor de compostos orgânicospt-BR
dc.subjectMulheres na agriculturapt-BR
dc.subject.cnpqCIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA::CIENCIA DO SOLO
dc.titleAgri‘cultura’ que alimenta a terra: qualidade dos solos de quintais agroflorestaispt-BR
dc.titleAgri’culture’ that feeds the land: soil quality of agroforestry homegardensen
dc.typeTese

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