Solos e Nutrição de Plantas
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Item Tecno-solo construído com subproduto do beneficiamento da bauxita e aglomerante orgânico: produtividade vegetal da Urochloa decumbens e balanço de carbono(Universidade Federal de Viçosa, 2025-08-06) Vieira, Maria Carolina da Silva; Soares, Emanuelle Merces Barros; http://lattes.cnpq.br/7503876449368831O beneficiamento da bauxita - minério de alumínio - gera um subproduto com baixa concentração de sólidos, tradicionalmente destinado a barragens de rejeito, estruturas associadas a elevado risco de rompimento. Como alternativa, processos de desaguamento têm sido utilizados para obtenção de um subproduto sólido, denominado "torta de argila". Esse material é acrescido de resíduos orgânicos e recoberto com o topsoil decapeado da área pré-lavra, criando um solo artificial (tecno-solo) acima do estéril de fundo de mina. Apesar de aplicável na recuperação de áreas degradadas pela mineração, esse solo construído apresenta limitações físicas, químicas e biológicas, demandando estratégias para recuperar suas funcionalidades ecossistêmicas. A adição de resíduos orgânicos tem o objetivo de mitigar tais limitações, especialmente por meio do aumento do teor de matéria orgânica do solo (MOS), enquanto o uso do topsoil contribui com a reintrodução da biodiversidade nativa. O objetivo do estudo é avaliar o potencial do tecno-solo construído com torta de argila acrescida de diferentes porcentagens de cama de aviário, quanto à produtividade da Urochloa decumbens e ao balanço de carbono do sistema, em condições de campo, em área minerada em processo de reabilitação. O experimento foi conduzido em blocos ao acaso com três repetições. Os tratamentos consistiram em parcelas contendo o padrão atual de recuperação (topsoil + estéril) (T1) e tecno-solo construído com topsoil + torta de argila com adubação mineral + doses crescentes de cama de aviário (T2: 0, T3: 30, T4: 90 e T5: 160 g kg-1). Foi cultivada a U. decumbens. A avaliação do desempenho produtivo do tecno-solo e do balanço de C compreendeu: (i) a quantificação dos estoques de carbono (C) e nitrogênio (N) nas frações MOP e MOAM da MOS; (ii) a determinação dos estoques de C e N na massa de matéria seca de parte aérea e raiz da U. decumbens; (iii) a mensuração acumulada das emissões de CO2, CH4 e N2O; e (iv) a análise dos estoques de C e N nos lixiviados gerados. A partir disso, foi calculado o balanço de C do sistema em razão da dose de máxima eficiência econômica para a produção de mMS_PA. Essa dose ótima foi de 21,7 g kg-1 de cama de aviário, resultando em saldo positivo de 179,08 Mg ha-1 no balanço de carbono do sistema.Palavras-chave: matéria orgânica do solo; recuperação de área mineradas; equilíbrio ecossistêmico; cama de aviário.Item Tecnossolos do trecho afetado por rejeitos de mineração na Bacia do Rio Doce: modelagem, evolução e monitoramento(Universidade Federal de Viçosa, 2024-02-29) Almeida, Pedro Henrique Araújo; Francelino, Márcio Rocha; http://lattes.cnpq.br/1889153068119545O rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, representa um marco trágico na história ambiental e social do Brasil. Localizada em Mariana, Minas Gerais, a barragem liberou 43 milhões de m³ de rejeitos de mineração de ferro, afetando vastas áreas ao longo do rio Doce. Este evento desencadeou uma das maiores catástrofes ambientais do país e levantou questões cruciais sobre a gestão de resíduos industriais, os impactos socioeconômicos nas comunidades locais e a sustentabilidade das práticas de mineração. Compreender a magnitude desse desastre evidencia a necessidade de análises aprofundadas sobre suas causas, consequências e lições aprendidas. Esta pesquisa visa explorar a evolução do ambiente, examinar as repercussões imediatas e de longo prazo nos ecossistemas e comunidades afetadas, a partir da análise dos solos presentes nesses locais. Para isso, o estudo foi dividido em três capítulos. O primeiro capítulo teve o objetivo de realizar uma caracterização físico-química dos tecnossolos assentados sobre áreas ao longo do rio Gualaxo do Norte, Carmo e Doce, a partir de uma ampla base de dados de perfis de solos. O segundo capítulo teve o objetivo de espacializar a textura do solo através de técnicas de mapeamento digital de solos, propondo modelos para as condições de pré e pós-rompimento, e situação atual. Foi desenvolvido o primeiro mapeamento digital de solo na área afetada pelo rompimento, gerando mapas texturais com alta resolução espacial. Modelos mais precisos foram obtidos na modelagem pós-rompimento, destacando a importância da homogeneidade do material e da delimitação da mancha de lama. Na modelagem pré-rompimento, as variáveis topográficas foram cruciais, e na situação atual, a distância euclidiana à drenagem ressurgiu como fundamental, indicando o reestabelecimento dos diques aluvionares. O terceiro capítulo investigou as relações entre a textura e concentração de metais em solos na região do alto e médio rio Doce. A distribuição dos elementos químicos analisados em solos de planícies aluviais do rio Doce foi influenciada pela granulometria, evidenciando uma forte correlação entre silte e argila e as concentrações desses elementos. Palavras-chave: modelagem ambiental, aprendizado de máquina, tecnossolos.Item Camadas de cobertura para mitigação de impactos ambientais da drenagem ácida de mina(Universidade Federal de Viçosa, 2024-02-20) Sandin, Jeani Moreira de Oliveira; Assis, Igor Rodrigues de; http://lattes.cnpq.br/2920300875403920A mineração, essencial para o desenvolvimento socioeconômico, tem impactos ambientais, como a Drenagem Ácida de Mina (DAM). A DAM resulta da oxidação de minerais sulfetados no minério de ouro, acidificando a água de drenagem e liberando elementos tóxicos, com destaque para o arsênio. A recuperação de substratos sulfetados, especialmente contaminados com arsênio, requer abordagens integradas e a identificação de plantas tolerantes a esse elemento. O estudo avaliou o efeito de camadas de cobertura sobre substratos sulfetados para promover a revegetação e mitigar a lixiviação de produtos da DAM para as águas subterrâneas. A área experimental consiste em treze tratamentos que envolveram a sobreposição de três camadas sobre um substrato sulfetado pouco intemperizado (B2). A primeira camada, chamada camada de quebra de capilaridade (CQC), foi composta por brita ou laterita, para prevenir a ascensão de água por capilaridade. A segunda camada, chamada camada selante (CS), com a função de reduzir a drenagem de água e o possível fluxo de gases, sendo formada por solo (Latossolo) ou substrato sulfetado muito intemperizado (B1). A última camada destinada a suportar o crescimento das plantas, era composta por solo ou substrato B1 e chamada de camada de cobertura (CC).As amostras de solo e substrato foram coletadas, secas ao ar e peneiradas em malha de 2 mm antes de serem submetidas a análises químicas e físicas. Amostras de folhas/caule e raízes de Andropogon gayanus, espécie predominante em todos os tratamentos, foram coletadas para caracterização química. Na CC, o solo apresenta textura muito argilosa, enquanto o substrato B1 possui textura franco siltosa. O valor médio da acidez potencial nos tratamentos que incluem solo na CC é de 5,01 cmolc dm-3, superior ao valor médio encontrado para o substrato B1 (0,55 cmolcdm-3). Não foram identificados teores disponíveis de As no solo; entretanto, no substrato B1, esses teores variaram de 4,07 mg kg-1 a 14,96 mg kg-1. Nos tratamentos com substrato B1 na CC observou-se a presença de As total. Na CS, os teores de S foram maiores nos tratamentos compostos por substrato B1, assim como os teores de As disponível. Vale destacar que os tratamentos com substrato B1 na CS, seguidos por brita calcária na CQC, exibiram teores mais elevados de As disponível (10,42 mg kg-1), em comparação com aqueles que utilizaram substrato B1 seguido de laterita (7,19 mg kg- 1).A média dos conteúdos foliares de As foi de 8,27 mg kg -1 para plantas estabelecidas sobre o substrato B1, enquanto aquelas estabelecidas sobre solo a média foi de 0,39 mg kg-1. Nos tratamentos em que a CS estava ausente, o conteúdo foliar médio de As foi de 5,78 mg kg-1, enquanto nos tratamentos que apresentaram a CS, a média foi de 3,60 mg kg-1. De modo geral, os tratamentos constituídos por laterita na CQC apresentaram conteúdo foliar médio assimilado de As de 4,07 mg kg-1,enquanto os tratamentos constituídos por brita calcária na CQC apresentaram valor 4,74 mg kg -1. Os conteúdos de As foram mais elevados nas raízes em comparação com a parte aérea. A adição de solo na camada superior favoreceu uma melhor nutrição para a vegetação e reduziu a absorção de metais, devido às condições químicas mais favoráveis desse material em comparação com o substrato B1. Por apresentar menores teores totais de As e maior capacidade de retenção de água, a CS composta por solo é a opção mais adequada para estabelecer a vegetação. No entanto, a presença do substrato B1 pode ser considerada, especialmente devido à sua propensão à compactação e selamento. Das amostras de água percolada analisadas, o tratamento constituído por substrato B1 nas CC e CS e laterita na CQ apresentou as maiores concentrações de As, Fe e Oxigênio Dissolvido, além de possuir um dos maiores valores de S dentre os tratamentos avaliados. De acordo com a Resolução CONAMA 420 (2009), o limite máximo para a concentração de arsênio na água subterrânea é de 10 μg L-1. Apenas os tratamentos constituídos por substrato B1 na CC, solo na CS e brita na CQ; solo nas CC e Cs e Brita na CQ; Substrato B1 na CC, ausência da CS e brita na CQ; Solo na CC, ausência da CS e brita na CQ; e Solo nas CC e CS e laterita na CQ apresentaram valores inferiores ao limite estipulado. A água percolada pelo tratamento constituído por solo nas CC e Cs e Brita na CQ apresentou maior eficácia na retenção dos subprodutos da DAM, o que pode estar relacionado presença de solo em suas CC e CS. De modo geral, o tratamento mais indicado seria aquele constituído por solo nas camadas de cobertura e selamento, porém o solo é um recurso escasso na área. Alternativamente, para se empregar o substrato B1, o melhor tratamento foi aquele com solo na camada de cobertura, B1 na camada de selamento e brita calcária na camada de quebra de capilaridade. Palavras-chave: Revegetação. Arsênio. Lixiviação.Item Referências de nutrientes em solos e em espécies vegetais nativas de campos rupestres(Universidade Federal de Viçosa, 2025-04-25) Silva Júnior, Daniel Nunes da; Assis, Igor Rodrigues de; http://lattes.cnpq.br/8028634926925592A preservação da biodiversidade é um grande desafio global. Os campos rupestres são ecossistemas associados a afloramentos de rochas e ocorrem sobre topos de montanhas. Esses ecossistemas abrigam uma vegetação marcada pela biodiversidade e endemismo, contudo, são ambientes ainda pouco estudados e fortemente ameaçados, por exemplo, pela mineração de ferro. Os objetivos com esse trabalho foram contribuir com a preservação e a recuperação ambiental de campos rupestres por meio do estudo de métodos de análises de solos, das características dos solos associados a diferentes habitats e da análise da estratégia de ciclagem bioquímica de nutrientes e elementos não essenciais por espécies de plantas de campos rupestres. Para isso, foram realizados três estudos em campos rupestres na Serra da Calçada, Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. Inicialmente, a área de estudo foi estratificada em função da litologia (substratos ferruginosos e quartzitos). Em seguida, o campo rupestre em cada litologia foi estratificado em três habitats mais representativos, a partir de informações disponíveis na literatura especializada, de conversas com pesquisadores e de excursões a campo. Para cada habitat foram demarcadas cinco parcelas de 100 m². Em cada parcela foram coletadas três amostras compostas de solo, totalizando 15 amostras compostas de solo para cada habitat. Amostras de folhas jovens e senescentes de dez espécies de plantas foram coletadas em áreas de canga ferruginosa. No primeiro estudo foi realizado um experimento em casa de vegetação para a avaliar a disponibilidade de P, Ca e Mg nas amostras de solo coletadas em campo, utilizando o método biológico de Neubauer. Os teores de P, Ca e Mg no solo também foram determinados utilizando extratores químicos KCl 1 mol/L, Mehlich-1 e Mehlich-3, e diferentes métodos de dosagem. Os resultados foram submetidos a testes de médias e de correlação. No segundo estudo as amostras de solo foram caracterizadas física e quimicamente, com o objetivo de caracterizar os diferentes habitats a partir dos solos associados. Os resultados obtidos foram submetidos a testes de médias (Kruskal- Wallis, p < 0,05), análises de componentes principais e análise de variância multivariada permutacional (p < 0,05). No terceiro estudo as amostras de folhas foram analisadas quanto aos teores totais de nutrientes e elementos não essenciais. A partir dos resultados foi calculada a magnitude relativa da ciclagem bioquímica para os diferentes elementos analisados, sendo o macronutriente Ca como elemento marcador. Os teores dos elementos nas folhas foram resumidos por estatística descritiva e os resultados para a magnitude relativa da ciclagem bioquímica foram submetidos a análise de cluster. De maneira geral, os resultados dos estudos mostraram que: os métodos químicos de análises de solos são adequados para estimar a disponibilidade de P, Ca e Mg nos solos de campos rupestres; os solos associados a diferentes habitats apresentam diferentes quanto as características físicas e químicas, o que implica em oportunidades para diferentes estratégias da vegetação, e; as estratégias de ciclagem e não ciclagem bioquímica está presente na vegetação, com descriminação entre as diferentes espécies e em função da abundância dos elementos no solo. Palavras-chave: Métodos de análises de solos,; Gradientes ambientais; Espécies endêmicas; Recuperação de áreas degradadas.Item Micorrização e fertilização fosfatada de mudas de sumaúma (Ceiba pentandra (L.) Gaertn.) em um latossolo da Amazônia(Universidade Federal de Viçosa, 1999-03-16) Ferreira, Rejane Gomes; Loures, Emilio Gomide; http://lattes.cnpq.br/6015322063978688O presente trabalho teve por objetivo avaliar o efeito do fungo micorrízico Glomus etunicatum (GE) e de espécies de fungos nativos (ME) no crescimento e na absorção de P, em mudas de sumaúma (Ceiba pentandra (L.) Gaertn.), em resposta à fertilização fosfatada. O experimento foi conduzido sob telado, na Universidade do Amazonas (Manaus-AM), utilizando amostra de um Latossolo Amarelo esterilizado. A micorrização e os tratamentos com fósforo influenciaram positivamente o crescimento das plantas. Os tratamentos fúngicos tiveram comportamentos similares, embora a percentagem de colonização micorrízica do GE não fosse influenciada pelo aumento das doses de P. Os fungos micorrízicos nativos mostraram-se sensíveis ao aumento das doses de fósforo, reduzindo a percentagem de colonização com o aumento da concentração deste nutriente. As plantas micorrizadas foram mais eficientes na absorção e utilização do fósforo, principalmente nas menores doses do nutriente. O nível crítico de P no solo (Mehlich-1), com base na altura das plantas foi de 20,60; 23,16; e 26,60 mg/kg e, na planta, de 2,77; 2,84. e 4,35 g/kg, respectivamente, para o Glomus etunicatum, os fungos nativos e as plantas não-micorrizadas.Item Solo como fator chave no monitoramento da recuperação ambiental de áreas de influência da mineração de ouro(Universidade Federal de Viçosa, 2025-07-28) Rueda Diaz, Vivian Catherine ; Assis, Igor Rodrigues de; http://lattes.cnpq.br/4307565362985078A recuperação de áreas degradadas pela mineração no bioma Cerrado representa um desafio técnico e ecológico, especialmente considerando a importância econômica da atividade minerária no Brasil e a necessidade de alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Este estudo abordou, de forma holística, a avaliação e o monitoramento da recuperação ambiental de áreas mineradas, integrando a revisão sistemática de metodologias, a avaliação de técnicas de restauração e o desenvolvimento de ferramentas específicas de monitoramento, com o objetivo de propor uma abordagem científica robusta e abrangente para a gestão da recuperação dessas áreas no Cerrado. A presente dissertação integrou três capítulos: sendo o primeiro capítulo uma revisão sistemática da literatura sobre metodologias de construção do Índice de Qualidade do Solo (IQS) em recuperação de áreas mineradas; o segundo capítulo aborda o monitoramento em campo de técnicas de restauração em área de empréstimo por mineração de ouro no sudeste do Brasil (Paracatu, Minas Gerais); e o terceiro trata do desenvolvimento de um Índice de Qualidade da Recuperação (IQR) específico por médio da análise de 38 atributos do solo e três da vegetação em áreas de empréstimo e pilhas de estéril com históricos do processo de recuperação. A revisão sistemática indicou a predominância do modelo aditivo ponderado (81%) e o uso do Conjunto Mínimo de Dados (MDS), obtido via Análise de Componentes Principais (ACP), em 65% dos estudos. As funções de pontuação mais utilizadas foram as sigmoidais (35%), e 54% das pesquisas adotaram ecossistemas nativos como referência. Os atributos químicos foram os mais recorrentes nos IQS, com destaque para pH, matéria orgânica, fósforo e potássio, enquanto os indicadores biológicos, apesar de sua alta sensibilidade ao estresse ecológico, ainda são pouco utilizados. A avaliação de campo, realizada entre 14 e 15 anos após a implantação das técnicas de restauração, identificou 29 espécies pertencentes a 17 famílias em três áreas restauradas (A4, A5 e A6), comparadas a dois ecossistemas de referência: uma fitofisionomia de Cerrado stricto sensu e uma pastagem com Uruchloa sp. A combinação do plantio de mudas com as técnicas de enriquecimento e transposição de topsoil promoveu, após 15 anos, promoveu aumentos na densidade de indivíduos, na diversidade e na riqueza de espécies lenhosas nativas do Cerrado nas áreas em processo de restauração. Essas áreas se caracterizaram por indicadores ecológicos positivos e níveis de estoques de carbono similares aos do Cerrado nativo. A similaridade florística entre as áreas A4 e A6 reforça a importância de alinhar os indicadores aos objetivos específicos da restauração. O desenvolvimento do IQR, realizado na mesma área de estudo, envolveu três áreas de empréstimo e duas áreas de disposição de estéril: uma com (PAF) e outra sem (NAF) material com potencial de geração de drenagem ácida. A seleção do conjunto mínimo de dados por meio de ACP revelou predominância de atributos químicos (74%). As áreas A4, A5, A6 e NAF apresentaram valores de IQR entre 0,81 e 0,87 em comparação com o Cerrado de referência, evidenciando avanços nos processos de recuperação em direção à restauração ecológica. Em contrapartida, a área PAF apresentou valor inferior (IQR < 0,38), associado ao potencial de geração de drenagem ácida e aos elevados teores de elementos potencialmente tóxicos. A integração dos resultados demonstrou que o IQR é uma ferramenta promissora para o monitoramento da recuperação de áreas mineradas, sendo essencial adaptar sua aplicação aos objetivos locais de recuperação e incorporar indicadores biológicos e vegetais. O IQR desenvolvido demonstrou eficácia como ferramenta de monitoramento ambiental, com a biomassa lenhosa emergindo como um componente-chave do índice, contribuindo significativamente para o aprimoramento das práticas de recuperação de áreas degradadas pela mineração no Cerrado. Palavras-chave: Índice de Qualidade do Solo; Índice de Qualidade de recuperação; restauração ecológica; Cerrado; monitoramento ambiental; mineração; drenagem ácida.Item Soil tillage, fertilization, and conservation practices for improving coffee yield, quality, and sustainability in Brazil(Universidade Federal de Viçosa, 2025-07-04) Calvache, Diego Fernando Arcos; Mattiello, Edson MarcioCoffee cultivation in Brazil occurs under a wide range of edaphoclimatic and topographic conditions, necessitating site-specific soil management strategies to ensure sustainable productivity. This doctoral thesis aimed to evaluate the effects of deep soil tillage, organic and mineral fertilization, and land-shaping practices on soil fertility, nutrient dynamics, root development, nutrient export, and coffee productivity (Coffea arabica and Coffea canephora) in different cultivars under contrasting environmental conditions. The first chapter investigated the influence of deep tillage, combined with organic and mineral fertilization, on root development, carbon dynamics, and biological activity in a cohesive soil under Coffea canephora cultivation. The results showed that deep tillage significantly promoted root system expansion, especially in deeper soil layers, increased carbon stocks, and enhanced biological activity throughout the soil profile, contributing to a more resilient rhizosphere environment. The second chapter focused on a Coffea arabica production system under both irrigated and rainfed conditions. It was observed that deep tillage, in combination with organic and mineral inputs, improved nutrient availability, enhanced soil fertility throughout the soil profile, and increased coffee yield. These findings reinforce the importance of integrating physical and nutritional soil management regardless of water availability. In the third chapter, nutrient export via harvested beans was quantified in different Coffea arabica cultivars grown in the Cerrado Mineiro. It was found that nutrient export by coffee fruits in this region is more strongly influenced by yield levels than by genotypic differences among cultivars. The final chapter presents a technical bulletin on the use of bench terraces for coffee cultivation in mountainous areas. It outlines the principles of topographic surveying, terrace design, and construction, with a focus on soil conservation practices and practical recommendations for the sustainable implementation of this technique in sloped landscapes. Taken together, the results of this thesis demonstrate that the adoption of integrated soil management practices, including deep tillage, the use of organic inputs, mineral fertilization, and conservation-oriented terracing, contributes to improved soil fertility, enhanced root performance, greater nutrient use efficiency, and sustained coffee productivity across diverse agricultural zones in Brazil.Keywords: Coffea arabica, Coffea canephora, terracing, cattle manure, nutrient extractionItem Indicadores pedológicos na dinâmica do verdor no semiárido brasileiro(Universidade Federal de Viçosa, 2025-05-25) Oliveira, Tatiana Custódio de; Souza, José João Lelis Leal de; http://lattes.cnpq.br/2313655722811721Áreas em processos de desertificação estão se expandindo em todo o mundo, e as regiões áridas e semiáridas como as do Nordeste brasileiro são as mais suscetíveis a este tipo de degradação devido a diferentes fatores, sejam eles antrópicos e/ou naturais. O presente estudo teve como objetivo compreender os efeitos da desertificação nas propriedades físico-químicas do solo, bem como identificar as variáveis mais importantes para predizer sua suscetibilidade à desertificação. Para isso, utilizou-se um banco de dados de perfis de solo coletados nos últimos cinco anos. Ao todo foram selecionados 92 perfis de solos da região do Cariri Paraibano e Seridó Potiguar, que são as porções mais secas da Caatinga e com maior concentração de municípios suscetíveis à desertificação. A partir de uma série temporal entre janeiro de 2001 a dezembro de 2023, e por meio de imagens da coleção MODIS/061/MOD13Q1 foram identificados os estados iniciais da vegetação (alto ou baixo verdor) e três tendências (ganho de verdor, perda de verdor ou estável) totalizando seis classes: degradado com perda de verdor, degradado com ganho de verdor, degradado estável, conservada com perda de verdor, conservada com ganho de verdor e conservada estável. Foi identificado que as áreas conservadas não possuem maior fertilidade natural, diferentemente do que esperaríamos para aquelas que não passam por um processo de intemperismo intenso. O mesmo foi identificado para as áreas degradadas com ganho de verdor que também não possuem fertilidade natural acima de 50% e apresentam solos moderadamente ácidos. Palavras-chave: perda de verdor; ganho de verdor; desertificação; indicadores pedológicos; semiárido brasileiro.Item Agricultura regenerativa em solo arenoso na caatinga e sua relação de convivência com o semiárido: um novo “olhAR” para o “SERtão”(Universidade Federal de Viçosa, 2025-04-25) Mamede, Tainã Cadija Almeida de; Fernandes, Raphael Bragança Alves; http://lattes.cnpq.br/8100271628714012O semiárido apresenta condições edafoclimáticas específicas demarcadas pelo bioma Caatinga. Neste ambiente, os solos arenosos, frequentemente apresentam pouca profundidade e baixa ou ausente estabilidade dos agregados, características que acentuam a susceptibilidade à erosão e a degradação. Neste cenário, práticas de convivência com a seca são relevantes e pouco se conhece sobre o efeito de manejos regenerativos sobre a qualidade desses solos e a manutenção da agrobiodiversidade, os quais constituem fatores importantes para potencializar as funções ecossistêmicas do solo. Diante do exposto, o presente estudo objetivou avaliar os fatores determinantes da qualidade do solo na região semiárida quando submetido ao manejo regenerativo, e seus efeitos sobre a manutenção da agrobiodiversidade. O estudo foi dividido em quatro capítulos, todos executados na região do semiárido do estado da Bahia. O capítulo 1 “Diversidade vegetal e indicadores de qualidade do solo no contexto da agricultura regenerativa de base agroecológica no Semiárido brasileiro” consistiu em identificar a cobertura vegetal agrícola e os indicadores de qualidade do solo sensíveis ao manejo regenerativo de base agroecológica, bem como suas alterações em comparação a sistemas convencionais de plantio e a mata nativa como área de referência. Para tal, foram feitas análise química para fins de fertilidade, análise física e análise biológica, incluindo o estudo de diversidade da cobertura vegetal agrícola. A área de manejo regenerativo foi a que apresentou melhor desempenho dos indicadores de qualidade do solo. O capítulo 2 “Fungos micorrízicos arbusculares (FMA) em resposta ao manejo regenerativo de solos arenosos no bioma Caatinga no nordeste do Brasil.” visou avaliar a ocorrência de espécies e a densidade de esporos de FMA em um sistema de manejo regenerativo (MR) e convencional (MC) no semiárido, bem como em uma área de vegetação nativa com fragmento de Caatinga (CA) e relacionar com as propriedades de solo e as espécies vegetais. A fertilidade do solo e a biodiversidade parece ter tido importante influência na resposta da atividade dos FMA. O capítulo 3 “Espectrorradiometria de solos arenosos na perspectiva da agricultura regenerativa no bioma caatinga” avaliou a resposta espectral de solos na avaliação de diferentes sistemas de manejo regenerativo no semiárido. Os espectros obtidos foram capazes de diferenciar os tratamentos, especialmente aqueles com incremento de matéria orgânica a partir do manejo regenerativo. O capítulo 4 “Relações de convivência com a seca pela agricultura regenerativa de base agroecológica na ótica do metabolismo social agrário no semiárido brasileiro: considerações iniciais como incentivo a agroecologia no sertão” visaram obter respostas preliminares acerca das estratégias de convivência com a seca de um organismo agrícola. Os resultados mostraram que o fluxo interno de energia está sendo alimentado em maior proporção pela biomassa seca daquilo que está sendo reinvestido a partir do funcionamento ecológico do organismo agrícola, resultando assim em um índice PPL - EROI positivo. Palavras-chave: Permacultura; Agroecologia; Policultivo Manejo regenerativo; Solos arenosos; Permacultura; Policultivo.Item Antrossolos de terrazas no Deserto do Atacama: caracterização e uso de um patrimônio material e cultural andino(Universidade Federal de Viçosa, 2025-05-26) Rosa, Fabricio Morais; Schaefer, Carlos Ernesto Goncalves Reynaud ; http://lattes.cnpq.br/3637513959132276Este estudo examina o conhecimento agrícola tradicional e as práticas de manejo do solo das populações indígenas no Deserto do Atacama, com foco nos Lican Antai (Atacameños) e suas técnicas agrícolas sustentáveis, por meio das terrazas (Andenes), em condições áridas extremas. A pesquisa combina os preceitos dos métodos etnopedológicos com a caracterização pedológica para documentar e compreender como as práticas agrícolas ancestrais e atuais, influenciam propriedades químicas, físicas e mineralógicas destes solos, permitindo assim que essas comunidades prosperassem em um dos lugares mais secos da Terra. O primeiro capítulo investiga os Anthrosols do Deserto do Atacama, analisando como as populações tradicionais transformaram os solos através da agricultura ao longo de alguns séculos. Amostras de solo de seis vilarejos foram coletadas e analisadas quanto à granulometria, matéria orgânica, nutrientes, condutividade elétrica e mineralogia. Os resultados revelam três principais processos de antrossolização: a construção das terrazas com materiais selecionados, irrigação com água de degelo andina para suprir a necessidade das plantas sem induzir salinização e a adição de esterco animal, que aumenta significativamente o conteúdo de matéria orgânica dos solos e auxilia na ciclagem de nutrientes. Essas práticas melhoraram a estrutura do solo, a retenção de água e a fertilidade, indicando que o manejo tradicional desses solos desempenha um papel fundamental na agricultura sustentável em ambientes áridos. A análise mineralógica da fração argila destacou a presença de carbonatos secundários em alguns solos cultivados, provavelmente como resultado da irrigação, ilustrando ainda mais o impacto das intervenções humanas nas propriedades do solo. O segundo capítulo foca nos terraços agrícolas mantidos pelos agricultores Lican Antai, documentando suas sofisticadas práticas de manejo da água e do solo. Por meio de entrevistas abertas baseadas nos preceitos etnopedológicos e análise quantitativa do solo, esta pesquisa revela como os sistemas tradicionais de irrigação, regulamentados por autoridades locais como as directivas e o Juez de Agua, foram cruciais para sustentar a produção agrícola. Apesar dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, incluindo a redução da neve e precipitações irregulares, esses sistemas continuam a funcionar com base em séculos de conhecimento tradicional indígena. Ao debruçar pelas práticas de manejo do solo, mostra-se que as práticas agrícolas tradicionais, como rotação de culturas, pousio sazonal e fertilização orgânica, melhoram a fertilidade do solo e promovem a saúde a longo prazo, com maiores teores de matéria orgânica, pH e condutividade elétrica estáveis. O estudo também enfatiza as dimensões espirituais e culturais do manejo agrícola, com o culto à deusa Pachamama, que representa o ambiente, e rituais como a limpia de canales, refletindo uma profunda conexão entre a cosmovisão Lican Antai e suas práticas agrícolas. Essa dissertação destaca a relação intrincada entre o conhecimento tradicional, o manejo sustentável do solo e da água e a resiliência dessas comunidades diante das mudanças climáticas. Palavras-chave: manejo ancestral; agricultura; conhecimento indígena; Inca; antrossolização; salinização; matéria orgânica.
