Crenças de professores de inglês em formação inicial a respeito do mito do falante nativo: emoções e vulnerabilidade emocional

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Universidade Federal de Viçosa

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Esta dissertação investiga as crenças, emoções e vulnerabilidades emocionais de professores de inglês não nativos em formação inicial em relação ao mito do falante nativo. Ancorado em uma perspectiva pós-estruturalista da Linguística Aplicada, o estudo compreende língua, identidade e ensino como construções sociais, discursivas e historicamente situadas (Benesch, 2012). O referencial teórico dialoga com estudos sobre crenças no ensino e aprendizagem de línguas, entendidas como fenômenos dinâmicos e socialmente construídos (Barcelos, 2006), e sobre emoções, concebidas como práticas discursivas e sociopolíticas atravessadas por relações de poder (Boler, 1999; Zembylas, 2005). A noção de vulnerabilidade emocional é mobilizada para compreender processos de exposição e deslegitimação simbólica vivenciados por professores em formação (Lasky, 2005), articulando-se às críticas ao native speakerism, entendido como uma ideologia que associa competência linguística, autoridade pedagógica e valor profissional à natividade, sustentando hierarquias no campo do ensino de línguas (Holliday, 2005; 2017). A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e interpretativista e foi desenvolvida com professores de inglês não nativos em formação inicial em uma universidade federal do interior de Minas Gerais. Os dados foram gerados por meio de questionários abertos, narrativas escritas e entrevistas semiestruturadas e analisados à luz da análise de conteúdo, buscando identificar regularidades temáticas relacionadas às crenças, emoções e experiências profissionais dos participantes. Os resultados indicam que, embora os participantes demonstrem uma consciência crítica alinhada às concepções do inglês como língua franca (Siqueira, 2018), suas trajetórias formativas e inserção no mercado de trabalho continuam sendo fortemente marcadas por práticas que reforçam o prestígio do falante nativo, em consonância com lógicas neoliberais do ensino de línguas (Curran; Jenks, 2023). Nesse contexto, emergem emoções como insegurança, ansiedade e sentimentos de desvalorização profissional, configurando vulnerabilidades emocionais que impactam a construção da identidade docente. Os resultados apontam para a necessidade de uma formação de professores que integre criticamente dimensões teóricas, emocionais e políticas do ensino de inglês, de modo a problematizar e enfrentar o mito do falante nativo. Palavras-chave: mito do falante nativo crenças; emoções; vulnerabilidade emocional; formação de professores.
This dissertation investigates the beliefs, emotions, and emotional vulnerabilities of non-native English pre-service teachers in relation to the native speaker myth. Grounded in a post-structuralist perspective within Applied Linguistics, the study understands language, identity, and teaching as social, discursive, and historically situated constructions (Benesch, 2012). The theoretical framework engages with studies on beliefs in language teaching and learning, conceived as dynamic and socially constructed phenomena (Barcelos, 2006), and with studies on emotions, understood as discursive and sociopolitical practices shaped by power relations (Boler, 1999; Zembylas, 2005). The notion of emotional vulnerability is mobilized to examine processes of exposure and symbolic delegitimization experienced by pre- service teachers (Lasky, 2005), and is articulated with critiques of native speakerism, understood as an ideology that associates linguistic competence, pedagogical authority, and professional value with nativeness, thereby sustaining hierarchies in the field of language education (Holliday, 2005; 2017). The study adopts a qualitative and interpretive approach and was conducted with non-native English pre-service teachers at a federal university in the interior of Minas Gerais, Brazil. The data were generated through open-ended questionnaires, written narratives, and semi- structured interviews and analyzed using content analysis, with the aim of identifying thematic regularities related to participants’ beliefs, emotions, and professional experiences. The results indicate that, although participants demonstrate critical awareness aligned with conceptions of English as a lingua franca (Siqueira, 2018), their educational trajectories and entry into the job market continue to be strongly shaped by practices that reinforce the prestige of the native speaker, in line with neoliberal logics in language education (Curran; Jenks, 2023). In this context, emotions such as insecurity, anxiety, and feelings of professional devaluation emerge, constituting emotional vulnerabilities that affect the construction of teacher identity. The findings point to the need for teacher education programs that critically integrate theoretical, emotional, and political dimensions of English language teaching in order to problematize and challenge the native speaker myth. Keywords: native speaker myth; beliefs; emotions; emotional vulnerability; teacher education.

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GÉA, Fernanda Vieira. Crenças de professores de inglês em formação inicial a respeito do mito do falante nativo: emoções e vulnerabilidade emocional. 2026. 103 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2026.

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