Riscos psicossociais e saúde mental no magistério superior: estresse, ansiedade e depressão em docentes de uma universidade federal

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Universidade Federal de Viçosa

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As transformações contemporâneas do trabalho acadêmico, marcadas pela intensificação produtivista, pela ampliação das demandas institucionais e pela reconfiguração dos modelos de gestão universitária, reposicionam a docência no ensino superior como atividade atravessada por riscos psicossociais e potenciais impactos sobre a saúde mental. À luz dos determinantes sociais da saúde, da saúde do trabalhador e da psicodinâmica do trabalho, esta dissertação compreende o sofrimento psíquico docente como fenômeno socialmente produzido e analisa os fatores psicossociais do trabalho e a saúde mental de docentes do magistério superior, articulando avaliação epidemiológica, análise organizacional e proposição aplicada de intervenção institucional. O estudo adota delineamento transversal, abordagem quantitativa e caráter descritivo-analítico, incluindo 217 docentes que respondem a questionário eletrônico com variáveis sociodemográficas, ocupacionais e indicadores de saúde; avalia os riscos psicossociais por meio do Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ III) e mensura sintomas de estresse, ansiedade e depressão pela Depression, Anxiety and Stress Scale -21 itens (DASS- 21), instrumento de rastreio sintomático autoaplicável e autorreferido, sem finalidade diagnóstica clínica, baseado na frequência de sintomas nos sete dias anteriores; emprega análises descritivas, testes de associação e modelagem estatística para estimar prevalência, severidade e fatores associados ao sofrimento psíquico. Os resultados evidenciam elevada exposição a demandas quantitativas, conflitos trabalho-vida e fragilidades no reconhecimento institucional associadas à presença de sintomatologia, além de indicar proporção expressiva de docentes com sintomas acima do nível normal e classificações moderadas a extremamente severas nas três dimensões avaliadas, com maior intensidade entre mulheres e docentes em fase inicial da carreira, sugerindo distribuição socialmente desigual da vulnerabilidade no contexto institucional. A análise identifica coexistência entre sintomas autorreferidos e manutenção da atividade laboral, indicando dinâmica de presenteísmo e processos de invisibilização institucional do adoecimento, nos quais o sofrimento psíquico emerge menos como evento individual isolado e mais como expressão das condições organizacionais que modulam a exposição coletiva ao risco. Como desdobramento científico e aplicado, a dissertação produz um artigo científico sobre a prevalência e os fatores associados ao sofrimento psíquico docente e um produto técnico institucional de natureza interventiva voltado à gestão dos riscos psicossociais do trabalho docente, que propõe diretrizes multinível baseadas em evidências e articula resultados do COPSOQ e da DASS-21 a estratégias de vigilância em saúde do trabalhador, prevenção e promoção da saúde mental no ambiente universitário. A dissertação conclui que a saúde mental docente constitui fenômeno multidimensional, atravessado por condições organizacionais, simbólicas e estruturais do trabalho acadêmico, e aponta a necessidade de intervenções institucionais que ultrapassem abordagens individualizantes e fortaleçam políticas de cuidado e gestão orientadas por evidências científicas. Palavras-chave: saúde ocupacional; saúde mental; professores universitários; fatores de risco.
Across contemporary higher education systems, academic work is undergoing profound transformation. Intensified productivity pressures, expanding institutional demands, and evolving models of university governance reposition teaching as a form of labour increasingly shaped by psychosocial risks and implications for mental health. Drawing on the perspectives of social determinants of health, occupational health, and work psychodynamics, this dissertation frames faculty psychological distress as a socially produced phenomenon and examines psychosocial work factors and mental health among higher education academics, integrating epidemiological assessment, organisational analysis, and an applied proposal for institutional intervention. The study adopts a cross-sectional quantitative design with a descriptive analytical approach and includes 217 faculty members who complete an online questionnaire covering sociodemographic and occupational characteristics and health indicators; it assesses psychosocial work exposures using the Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ III) and measures symptoms of stress, anxiety, and depression through the Depression, Anxiety and Stress Scale –21 items (DASS-21), a self-administered and self-reported screening instrument not intended for clinical diagnosis, based on symptom frequency during the previous seven days; descriptive analyses, association tests, and statistical modelling estimate prevalence, severity, and factors associated with psychological distress. The findings reveal substantial exposure to quantitative demands, work–life conflict, and a perceived lack of institutional recognition, alongside a notable burden of symptomatology, with a considerable proportion of faculty reporting symptom levels above the normal range and moderate to extremely severe classifications across all domains, particularly among women and early-career academics, suggesting socially patterned vulnerability within the institutional environment. The coexistence of self- reported symptoms with sustained work engagement indicates dynamics of presenteeism and institutional invisibility of distress, in which psychological suffering emerges less as an isolated individual condition and more as an expression of organisational arrangements shaping collective exposure to risk. As scientific and applied outputs, the dissertation generates a research article describing the prevalence and associated factors of faculty psychological distress and an intervention-oriented institutional technical product designed to guide psychosocial risk management in academic work, advancing evidence informed multilevel recommendations that integrate COPSOQ and DASS- 21 findings into occupational health surveillance, organisational prevention strategies, and mental health promotion within the university context. The dissertation concludes that faculty mental health constitutes a multidimensional phenomenon shaped by organisational, symbolic, and structural dimensions of academic labour and highlights the need for institutional responses that move beyond individualised approaches and strengthen evidence-based care and governance practices. Keywords: occupational health; mental health; faculty; risk factors.

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VASCONCELLOS, Cristiane de Figueiredo. Riscos psicossociais e saúde mental no magistério superior: estresse, ansiedade e depressão em docentes de uma universidade federal. 2026. 82 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2026.

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