Risco cardiometabólico na adolescência e influência das condições de nascimento na projeção do risco na vida adulta: estudo de coorte com dados retrospectivos e prospectivos
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Universidade Federal de Viçosa
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Objetivo: Investigar o risco cardiometabólico na adolescência, a influência das condições de vida ao nascer e a projeção do risco na vida adulta. Metodologia: Estudo de coorte com dados retrospectivos do nascimento e prospectivos da vida adulta, de adolescentes avaliados nos anos de 2010 a 2015 e reavaliados nos anos de 2024 e 2025. Foram obtidos na maternidade local os dados de idade gestacional (IG), peso e comprimento ao nascer, e tipo de parto (vaginal/cesárea) desses indivíduos. Exames bioquímicos, medidas antropométricas, de gordura corporal e de pressão arterial foram feridos na adolescência e na vida adulta. Dados sociodemográficos e comportamentais, como qualidade da dieta, nível de atividade física e tabagismo, foram coletados na avaliação na fase adulta. A trajetória do risco cardiometabólico foi avaliada em quatro grupos, segundo a presença ou ausência de risco cardiometabólico (excesso de peso, excesso de gordura corporal, obesidade abdominal e/ou a síndrome metabólica - SM) nas duas fases: G0-normalidade na adolescência e na vida adulta (referência); G1 - normalidade na adolescência e alteração na vida adulta; G2-alteração na adolescência e normalidade na vida adulta; G3-alteração na adolescência e na vida adulta. As análises estatísticas foram realizadas nos softwares SPSS versão 23.0 e R versão 4.0.2, com =0,05. Resultados: Dos 825 adolescentes, 64,6% (n=533) eram do sexo feminino. A mediana da idade foi de 15,9 anos (13-17). O risco de apresentar obesidade abdominal na adolescência foi 1,89 vezes maior naqueles nascidos de parto cesárea (RR:1,89; IC95%: 1,18-2,84). Os adolescentes nascidos de parto cesárea apresentaram em média, maiores valores de gordura corporal (kg) (: 1,44; IC95%: 0,39-2,48), de IMG (kg/m²) (:0,44; IC95%: 0,05-0,83) e de insulina (mg/dL) (:0,811; IC95%:0,14-1,49). O aumento de uma unidade no percentil do peso ao nascer para a IG aumentou em 0,8% o risco de excesso de peso (RR:1,008; IC95%:1,002–1,013), em 0,5% o risco de HDL reduzido (RR:1,005; IC95%: 1,002- 1,009), em 0,02 kg a gordura corporal (:0,02; IC95%:0,01-0,04), e em 0,026 mmHg a pressão arterial média (:0,026; IC95%:0,003-0,05) na adolescência. Foram reavaliados 439 indivíduos na vida adulta, sendo 68,7% (n=302) do sexo feminino, com mediana da idade de 26 anos (24-30). Nascer de parto vaginal reduziu em 47% (OR:0,53; IC95%:0,30-0,96) a chance de ter excesso de peso, e em 65% (OR:0,35; IC95%:0,15-0,83) de ter obesidade abdominal na adolescência e permanecer com essa condição na vida adulta (G3). O aumento de uma unidade no percentil de peso ao nascer para IG aumentou 1% (OR:1,01; IC95%:1,001-1,02) a chance de ter excesso de peso, em 2% (OR:1,02; IC95%:1,01-1,03) de ter excesso de gordura, em 1% (OR:1,01; IC95%: 1,002-1,03) de ter obesidade abdominal, e em 5% (OR:1,05; IC95%:1,02-1,09) de ter SM, nas duas fases (G3). Os nascidos adequados para a idade gestacional (AIG) apresentaram risco 62% menor de ter SM na vida adulta, independente da saúde metabólica na adolescência. Adolescentes que não apresentavam SM tiveram risco 36% menor de excesso de peso, 47% menor de obesidade abdominal e 83% menor de SM, na vida adulta, independente das condições ao nascer. Ter apenas ensino fundamental ou médio aumentou em 29% o risco de excesso de peso e em 3,08 vezes o risco de SM na vida adulta, independente das condições ao nascer e da saúde na adolescência. O risco cardiometabólico foi menor para o sexo masculino, para os adultos com qualidade da dieta boa/muito boa, não fumantes e os com maior nível de atividade física, e aumentou com a idade. Conclusão: O risco cardiometabólico resulta de trajetórias distintas, moldadas desde o nascimento, iniciado na adolescência e consolidado na vida adulta, independente das condições sociodemográficas e comportamentais adotadas mais tarde. Palavras-chave: adolescentes; adultos; coorte; idade gestacional; parto cesárea; peso ao nascer; risco cardiometabólico
Objective: To investigate cardiometabolic risk in adolescence, the influence of birth conditions, and the projection of this risk into adulthood. Methods: This cohort study used retrospective birth data and prospective adult follow-up data from adolescents assessed between 2010 and 2015 and reassessed between 2024 and 2025. Data on gestational age (GA), birth weight and length, and mode of delivery (vaginal/cesarean) were obtained from records at the local maternity hospital. Biochemical tests, anthropometric measurements, body fat, and blood pressure were assessed during adolescence and adulthood. Sociodemographic and behavioral data, including diet quality, physical activity level, and smoking status, were collected during adult follow-up. Cardiometabolic risk trajectories were classified into four groups according to the presence or absence of cardiometabolic risk (overweight, excess body fat, abdominal obesity, and/or metabolic syndrome - MetS) in both phases: G0 – normal in adolescence and adulthood (reference); G1 – normal in adolescence and altered in adulthood; G2 – altered in adolescence and normal in adulthood; G3 – altered in both phases. Statistical analyses were performed using SPSS version 23.0 and R version 4.0.2, adopting = 0.05. Results: Among the 825 adolescents, 64.6% (n = 533) were female. The median age was 15.9 years (13–17). The risk of abdominal obesity in adolescence was 1.89 times higher among those born by cesarean delivery (RR: 1.89; 95%CI: 1.18–2.84) and 1.5 times higher among females (RR: 1.50; 95%CI: 1.01–2.23). Adolescents born by cesarean delivery had higher mean values of body fat (kg) (: 1.44; 95%CI: 0.39–2.48), fat mass index (kg/m²) (: 0.44; 95%CI: 0.05–0.83), and insulin (mg/dL) (: 0.811; 95%CI: 0.14–1.49) compared to those born vaginally. Each one-unit increase in birth weight percentile for gestational age increased the risk of overweight by 0.8% (RR: 1.008; 95%CI: 1.002–1.013), reduced HDL by 0.5% (RR: 1.005; 95%CI: 1.002–1.009), increased body fat by 0.02 kg (: 0.02; 95%CI: 0.01–0.04), and increased mean arterial pressure by 0.026 mmHg (: 0.026; 95%CI: 0.003–0.05) during adolescence. In adulthood, 439 individuals were reassessed, 68.7% (n = 302) female, with a median age of 26 years (24–30). Being born by vaginal delivery reduced by 47% (OR: 0.53; 95%CI: 0.30–0.96) the odds of persistent overweight and by 65% (OR: 0.35; 95%CI: 0.15–0.83) the odds of persistent abdominal obesity from adolescence to adulthood (G3). Each one-unit increase in birth weight percentile for GA increased the odds of persistent overweight by 1% (OR: 1.01; 95%CI: 1.001–1.02), excess body fat by 2% (OR: 1.02; 95%CI: 1.01–1.03), abdominal obesity by 1% (OR: 1.01; 95%CI: 1.002–1.03), and MetS by 5% (OR: 1.05; 95%CI: 1.02–1.09) across both phases (G3). Individuals born appropriate for gestational age (AGA) had a 62% lower risk of MetS in adulthood, regardless of metabolic status in adolescence. Adolescents without MetS had a 36% lower risk of overweight, 47% lower risk of abdominal obesity, and 83% lower risk of MetS in adulthood, independent of birth conditions. Having only elementary or high school education increased the risk of overweight by 29% and MetS by 3.08 times in adulthood, regardless of birth conditions and adolescent health status. Cardiometabolic risk was lower among males, adults with good/very good diet quality, non-smokers, and those with higher physical activity levels, and increased with age. Conclusion: Cardiometabolic risk follows distinct life- course trajectories shaped from birth, initiated in adolescence, and consolidated in adulthood, regardless of later sociodemographic and behavioral conditions. Keywords: adolescents; adults; cohort; gestational age; cesarean delivery; birth weigth; cardiometabolic risk
Objective: To investigate cardiometabolic risk in adolescence, the influence of birth conditions, and the projection of this risk into adulthood. Methods: This cohort study used retrospective birth data and prospective adult follow-up data from adolescents assessed between 2010 and 2015 and reassessed between 2024 and 2025. Data on gestational age (GA), birth weight and length, and mode of delivery (vaginal/cesarean) were obtained from records at the local maternity hospital. Biochemical tests, anthropometric measurements, body fat, and blood pressure were assessed during adolescence and adulthood. Sociodemographic and behavioral data, including diet quality, physical activity level, and smoking status, were collected during adult follow-up. Cardiometabolic risk trajectories were classified into four groups according to the presence or absence of cardiometabolic risk (overweight, excess body fat, abdominal obesity, and/or metabolic syndrome - MetS) in both phases: G0 – normal in adolescence and adulthood (reference); G1 – normal in adolescence and altered in adulthood; G2 – altered in adolescence and normal in adulthood; G3 – altered in both phases. Statistical analyses were performed using SPSS version 23.0 and R version 4.0.2, adopting = 0.05. Results: Among the 825 adolescents, 64.6% (n = 533) were female. The median age was 15.9 years (13–17). The risk of abdominal obesity in adolescence was 1.89 times higher among those born by cesarean delivery (RR: 1.89; 95%CI: 1.18–2.84) and 1.5 times higher among females (RR: 1.50; 95%CI: 1.01–2.23). Adolescents born by cesarean delivery had higher mean values of body fat (kg) (: 1.44; 95%CI: 0.39–2.48), fat mass index (kg/m²) (: 0.44; 95%CI: 0.05–0.83), and insulin (mg/dL) (: 0.811; 95%CI: 0.14–1.49) compared to those born vaginally. Each one-unit increase in birth weight percentile for gestational age increased the risk of overweight by 0.8% (RR: 1.008; 95%CI: 1.002–1.013), reduced HDL by 0.5% (RR: 1.005; 95%CI: 1.002–1.009), increased body fat by 0.02 kg (: 0.02; 95%CI: 0.01–0.04), and increased mean arterial pressure by 0.026 mmHg (: 0.026; 95%CI: 0.003–0.05) during adolescence. In adulthood, 439 individuals were reassessed, 68.7% (n = 302) female, with a median age of 26 years (24–30). Being born by vaginal delivery reduced by 47% (OR: 0.53; 95%CI: 0.30–0.96) the odds of persistent overweight and by 65% (OR: 0.35; 95%CI: 0.15–0.83) the odds of persistent abdominal obesity from adolescence to adulthood (G3). Each one-unit increase in birth weight percentile for GA increased the odds of persistent overweight by 1% (OR: 1.01; 95%CI: 1.001–1.02), excess body fat by 2% (OR: 1.02; 95%CI: 1.01–1.03), abdominal obesity by 1% (OR: 1.01; 95%CI: 1.002–1.03), and MetS by 5% (OR: 1.05; 95%CI: 1.02–1.09) across both phases (G3). Individuals born appropriate for gestational age (AGA) had a 62% lower risk of MetS in adulthood, regardless of metabolic status in adolescence. Adolescents without MetS had a 36% lower risk of overweight, 47% lower risk of abdominal obesity, and 83% lower risk of MetS in adulthood, independent of birth conditions. Having only elementary or high school education increased the risk of overweight by 29% and MetS by 3.08 times in adulthood, regardless of birth conditions and adolescent health status. Cardiometabolic risk was lower among males, adults with good/very good diet quality, non-smokers, and those with higher physical activity levels, and increased with age. Conclusion: Cardiometabolic risk follows distinct life- course trajectories shaped from birth, initiated in adolescence, and consolidated in adulthood, regardless of later sociodemographic and behavioral conditions. Keywords: adolescents; adults; cohort; gestational age; cesarean delivery; birth weigth; cardiometabolic risk
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ROCHA, Ariane Ribeiro de Freitas. Risco cardiometabólico na adolescência e influência das condições de nascimento na projeção do risco na vida adulta: estudo de coorte com dados retrospectivos e prospectivos. 2026. 232 f. Tese (Doutorado em Ciência da Nutrição) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2026.
