Impactos econômicos da saúde animal sob a perspectiva de um bem público
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Universidade Federal de Viçosa
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A pecuária brasileira praticamente não sofreu restrições quanto à disponibilidade de terras para expandir sua produção, mas o desafio da pecuária brasileira foi o da produtividade. De acordo com estimativas da FAO, a baixa produtividade ocasionou perdas econômicas equivalentes a 35% da produção potencial dos países em desenvolvimento. Doenças animais transmissíveis, especialmente a febre aftosa, eram as causas mais importantes dessas perdas econômicas. A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa que acomete bovinos e suínos e, em termos de impacto econômico, é provavelmente a doença mais importante do mundo. O alcance desses impactos vai além da redução da produção e da produtividade resultantes dos sintomas da doença, mas também está relacionado aos esforços e gastos dos serviços veterinários dos países e a restrições ao comércio doméstico e internacional de animais vivos e de seus produtos derivados. A erradicação da febre aftosa significa a conquista de um ambiente de prevalência de saúde animal. Nesta pesquisa, a saúde animal foi considerada um bem público. Essa pesquisa analisou e quantificou os impactos da erradicação da febre aftosa sobre as exportações de carne bovina e suína, além dos impactos sobre a geração de renda agrícola. Uma base de dados longitudinal para os anos de 1997 a 2016 foi construída com variáveis relacionadas à produção, produtividade, exportação e renda agropecuária do IBGE, Anualpec, CONAB e do portal Comex Stat. Por meio de um modelo econométrico de diferença em diferenças, estimou-se quais foram esses impactos em cada uma das situações em que um estado brasileiro obteve o reconhecimento internacional de erradicação da doença. Como procedimento econométrico adicional, os grupos de tratamento e contrafactual foram definidos com a estratégia de Balanceamento por Entropia. Com base nos resultados obtidos, pode ser concluído que a conquista de um status sanitário livre da febre aftosa não causou, necessariamente, crescimento nas exportações, aumento de preços dos produtos exportados ou maior renda. Posto de outra forma, a erradicação da febre aftosa é um fator necessário para o acesso aos mercados mais exigentes, mas não uma condição suficiente. Sugere-se que ações de vigilância sanitária sejam mantidas e que o cronograma de suspensão da vacinação contra a febre aftosa seja reavaliado pelas instituições responsáveis. Sugere-se, também, que políticas públicas adicionais podem levar a impactos socioeconômicos positivos e significativos quando somadas ao status sanitário do Brasil de livre de febre aftosa. Palavras-chave: Impactos econômicos. Bem público. Economia da saúde animal. Febre aftosa. Diferenças em diferenças. Balanceamento por entropia.
While Brazilian livestock expansion faced virtually no constraints regarding land availabil- ity, it was constantly challenged by productivity factors. According to FAO estimates, low productivity was responsible for economic losses equivalent to 35% of emerging markets potential production. Infectious animal diseases, especially foot-and-mouth disease, ac- counted for the main causes of these economic losses. Foot-and-mouth disease is probably the most important animal pathology in the world in terms of economic impact. The scope of the disease goes beyond reducing the production caused by foot-and-mouth disease morbidity and mortality but is also related to the efforts and expenditures of veterinary services required by the disease, and restrictions on domestic and international trade in live animals and their by-products. The eradication of an epidemic disease means that a health environment is provided. This research presented the eradication of foot-and-mouth disease as a public good and investigated whether foot-and-mouth disease eradication caused positive impacts on beef and pork exports, as well as on agricultural income. A longitudinal database for the years 1997 to 2016 was built with variables related to production, productivity, exports and agricultural income from IBGE, Anualpec, CONAB and the Comex Stat portal. With a difference-in-differences approach, we estimated which were the mean impacts when a new state was recognized by the World Organisation for Animal Health as a disease-free area. We also paired treated and counterfactual groups using Entropy Balancing. Based on the results obtained, it can be concluded that the achievement of a sanitary status free from foot-and-mouth disease did not necessarily cause growth in exports, higher prices for exported products or higher income. Put another way, the eradication of foot-and-mouth disease is a necessary factor for access to the most demanding markets, but not a sufficient condition. We suggest surveillance actions to be maintained and that the schedule for suspension of foot-and-mouth disease vaccination be reassessed by the responsible institutions. We also suggest that additional public policies can lead to positive and significant socioeconomic impacts when added to Brazil’s status of free of foot-and-mouth disease. Keywords: Economic impacts. Public goods. Animal health economics. Foot-and-mouth disease. Difference in differences. Entropy balancing.
While Brazilian livestock expansion faced virtually no constraints regarding land availabil- ity, it was constantly challenged by productivity factors. According to FAO estimates, low productivity was responsible for economic losses equivalent to 35% of emerging markets potential production. Infectious animal diseases, especially foot-and-mouth disease, ac- counted for the main causes of these economic losses. Foot-and-mouth disease is probably the most important animal pathology in the world in terms of economic impact. The scope of the disease goes beyond reducing the production caused by foot-and-mouth disease morbidity and mortality but is also related to the efforts and expenditures of veterinary services required by the disease, and restrictions on domestic and international trade in live animals and their by-products. The eradication of an epidemic disease means that a health environment is provided. This research presented the eradication of foot-and-mouth disease as a public good and investigated whether foot-and-mouth disease eradication caused positive impacts on beef and pork exports, as well as on agricultural income. A longitudinal database for the years 1997 to 2016 was built with variables related to production, productivity, exports and agricultural income from IBGE, Anualpec, CONAB and the Comex Stat portal. With a difference-in-differences approach, we estimated which were the mean impacts when a new state was recognized by the World Organisation for Animal Health as a disease-free area. We also paired treated and counterfactual groups using Entropy Balancing. Based on the results obtained, it can be concluded that the achievement of a sanitary status free from foot-and-mouth disease did not necessarily cause growth in exports, higher prices for exported products or higher income. Put another way, the eradication of foot-and-mouth disease is a necessary factor for access to the most demanding markets, but not a sufficient condition. We suggest surveillance actions to be maintained and that the schedule for suspension of foot-and-mouth disease vaccination be reassessed by the responsible institutions. We also suggest that additional public policies can lead to positive and significant socioeconomic impacts when added to Brazil’s status of free of foot-and-mouth disease. Keywords: Economic impacts. Public goods. Animal health economics. Foot-and-mouth disease. Difference in differences. Entropy balancing.
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Citation
SCHMIDT, Luís Alberto Campos. Impactos econômicos da saúde animal sob a perspectiva de um bem público. 2020. 71 f. Dissertação (Mestrado em Economia Aplicada) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2020.
