Ecology of southern muriquis (Brachyteles arachnoides) in the Área de Proteção Ambiental Barreiro Rico, São Paulo, Brazil
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Universidade Federal de Viçosa
Abstract
The Southern muriqui (Brachyteles arachnoides), the largest primate in America, is endemic to the Atlantic Forest in southeast Brazil. Its westernmost distribution is in the Área de Proteção Ambiental (APA) Barreiro Rico, in the interior of São Paulo state. This area has some forest fragments surrounded by pasture and sugarcane, eucalyptus and citrus plantations, but has a very rich biodiversity. The first register of muriquis in the APA Barreiro Rico dates from the 70’s; since then, there has been some research in the 80’s and again in the 00’s, mainly studying the ecology and behaviour of muriquis and other primates. In 2022, a primate survey indicated a decline in the muriqui population size, raising concerns for local species conservation and the need for updated information. Our research is divided into three chapters. (1) In order to know the real size of the B. arachnoides population, we did a primate survey with thermal drones flying over eight forest fragments. In 127 flight hours covering 2,947 km, we recorded only 12 southern muriquis, in two groups across two fragments: one on private property and the other in the public protection area Estação Ecológica (ESEC) Barreiro Rico. (2) The second chapter aimed to compare some variables in two forest fragments, where there were registers of muriquis in the past (São Francisco do Tietê (SFT) Farm) and where they live now (ESEC Barreiro Rico). To test whether the number of food resource species and the number of larger trees were important variables in the species’ occurrence, hypothesizing that they would be higher in the ESEC Barreiro Rico, where they occur nowadays. We implemented 10 plots (900 m² each) across those forest fragments. 943 trees with DBH > 5cm were measured, and samples were collected for further identification. The number of larger trees in both fragments is similar, the number of food resource trees is higher in the SFT Farm, but the proportion of the basal area of food resource trees is higher in the ESEC Barreiro Rico, indicating a possible preference for larger food patches. But, as the differences were small, we also raised the possibility that the legalized hunting of invasive species and, especially, forest fires play a major role in the population decline. The last part of this work (3) monitored the small group present in the ESEC Barreiro Rico to study their behaviour and diet, and to determine whether there is seasonal variation in their activities and food consumption throughout the year. We monitored them between July 2023 and August 2024, recording their location, activity and height in the tree. We also monitored 642 trees in the plot at ESEC Barreiro Rico to study phenology and compare the availability of items with their consumption. We analysed 28 days with more than 10 scans from the adults in the group. They preferred taller trees, where they spent most of their time resting, followed by feeding, locomotion, and socializing. Only resting had a seasonal difference. There is no difference in their diet by item between the wet and dry seasons. Leaves and flowers were the most-consumed items, followed by seeds. And they had a strong preference for certain items, such as ripe fruit and flowers. All the information collected during this research is very helpful for understanding their behaviour and habitat use, and for improving decisions about local conservation efforts for the species. Keywords: thermal drone; forest inventory; phenology; behavioural monitoring
O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), o maior primata das Américas, é endêmico da Mata Atlântica no sudeste do Brasil. Sua distribuição mais ocidental ocorre na Área de Proteção Ambiental (APA) Barreiro Rico, no interior do estado de São Paulo. Essa área possui alguns fragmentos florestais, circundados por pastagens e plantações de cana-de-açúcar, eucalipto e citros, e apresenta rica biodiversidade. O primeiro registro de muriquis na APA Barreiro Rico data da década de 1970; desde então, houve pesquisas nas décadas de 1980 e 2000, que estudaram principalmente a ecologia e o comportamento dos muriquis e de outros primatas. Em 2022, um levantamento de primatas indicou um declínio no tamanho da população de muriquis, o que gerou um alerta para a conservação da espécie na região e a necessidade de informações atualizadas. Nossa pesquisa está dividida em três capítulos. (1) Para determinar o tamanho real da população de B. arachnoides, realizamos um levantamento de primatas com drones térmicos sobrevoando oito fragmentos florestais. Em 127 horas de voo, cobrindo 2.947 km, registramos apenas 12 muriquis-do-sul, em dois grupos em dois fragmentos: um em propriedade privada e o outro na área de proteção pública Estação Ecológica (ESEC) Barreiro Rico. (2) O segundo capítulo teve como objetivo comparar algumas variáveis entre dois fragmentos florestais, um no qual havia registros de muriquis no passado (Fazenda São Francisco do Tietê (SFT)) e outro no qual eles vivem atualmente (ESEC Barreiro Rico). Para verificar se o número de espécies de recursos alimentares e de árvores com diâmetros maiores eram variáveis importantes na ocorrência da espécie, hipotetizamos que seria maior na ESEC Barreiro Rico, onde ocorrem atualmente. Implementamos 10 parcelas (900 m² cada) nesses fragmentos. Foram medidas 943 árvores com DAP > 5 cm e coletadas amostras para identificação posterior. O número de árvores maiores é semelhante em ambos os fragmentos; o número de árvores de recursos alimentares é maior na Fazenda SFT, mas a proporção da área basal dessas árvores é maior na ESEC Barreiro Rico, indicando uma possível preferência por áreas de alimentação maiores. Como as diferenças eram pequenas, levantamos também a possibilidade de que a caça legalizada de espécies invasoras e, especialmente, os incêndios florestais tenham um papel importante no declínio populacional. A última parte deste trabalho (3) consistiu no monitoramento do pequeno grupo presente na ESEC Barreiro Rico, para estudar seu comportamento e sua dieta e determinar se há variação sazonal em suas atividades e no consumo alimentar ao longo do ano. Monitoramos o grupo entre julho de 2023 e agosto de 2024, registrando sua localização, atividade e altura na árvore. Monitoramos também 642 árvores na parcela da ESEC Barreiro Rico para estudar a fenologia e comparar a disponibilidade de itens com o consumo desses itens. Analisamos 28 dias com mais de 10 observações de adultos do grupo. Eles preferiram árvores mais altas, onde passaram a maior parte do tempo descansando, seguida de alimentação, locomoção e socialização. Apenas o descanso apresentou diferença sazonal. Não houve diferença na dieta por item entre as estações chuvosa e seca. Folhas e flores foram os itens mais consumidos, seguidos pelas sementes. E eles demonstraram forte preferência por certos itens, como frutos maduros e flores. Todas as informações coletadas durante esta pesquisa são muito úteis para compreender o comportamento e o uso do habitat desses animais e também para aprimorar as decisões relativas aos esforços de conservação local da espécie. Palavras-chave: drone térmico; inventário florestal; fenologia; monitoramento comportamental
O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), o maior primata das Américas, é endêmico da Mata Atlântica no sudeste do Brasil. Sua distribuição mais ocidental ocorre na Área de Proteção Ambiental (APA) Barreiro Rico, no interior do estado de São Paulo. Essa área possui alguns fragmentos florestais, circundados por pastagens e plantações de cana-de-açúcar, eucalipto e citros, e apresenta rica biodiversidade. O primeiro registro de muriquis na APA Barreiro Rico data da década de 1970; desde então, houve pesquisas nas décadas de 1980 e 2000, que estudaram principalmente a ecologia e o comportamento dos muriquis e de outros primatas. Em 2022, um levantamento de primatas indicou um declínio no tamanho da população de muriquis, o que gerou um alerta para a conservação da espécie na região e a necessidade de informações atualizadas. Nossa pesquisa está dividida em três capítulos. (1) Para determinar o tamanho real da população de B. arachnoides, realizamos um levantamento de primatas com drones térmicos sobrevoando oito fragmentos florestais. Em 127 horas de voo, cobrindo 2.947 km, registramos apenas 12 muriquis-do-sul, em dois grupos em dois fragmentos: um em propriedade privada e o outro na área de proteção pública Estação Ecológica (ESEC) Barreiro Rico. (2) O segundo capítulo teve como objetivo comparar algumas variáveis entre dois fragmentos florestais, um no qual havia registros de muriquis no passado (Fazenda São Francisco do Tietê (SFT)) e outro no qual eles vivem atualmente (ESEC Barreiro Rico). Para verificar se o número de espécies de recursos alimentares e de árvores com diâmetros maiores eram variáveis importantes na ocorrência da espécie, hipotetizamos que seria maior na ESEC Barreiro Rico, onde ocorrem atualmente. Implementamos 10 parcelas (900 m² cada) nesses fragmentos. Foram medidas 943 árvores com DAP > 5 cm e coletadas amostras para identificação posterior. O número de árvores maiores é semelhante em ambos os fragmentos; o número de árvores de recursos alimentares é maior na Fazenda SFT, mas a proporção da área basal dessas árvores é maior na ESEC Barreiro Rico, indicando uma possível preferência por áreas de alimentação maiores. Como as diferenças eram pequenas, levantamos também a possibilidade de que a caça legalizada de espécies invasoras e, especialmente, os incêndios florestais tenham um papel importante no declínio populacional. A última parte deste trabalho (3) consistiu no monitoramento do pequeno grupo presente na ESEC Barreiro Rico, para estudar seu comportamento e sua dieta e determinar se há variação sazonal em suas atividades e no consumo alimentar ao longo do ano. Monitoramos o grupo entre julho de 2023 e agosto de 2024, registrando sua localização, atividade e altura na árvore. Monitoramos também 642 árvores na parcela da ESEC Barreiro Rico para estudar a fenologia e comparar a disponibilidade de itens com o consumo desses itens. Analisamos 28 dias com mais de 10 observações de adultos do grupo. Eles preferiram árvores mais altas, onde passaram a maior parte do tempo descansando, seguida de alimentação, locomoção e socialização. Apenas o descanso apresentou diferença sazonal. Não houve diferença na dieta por item entre as estações chuvosa e seca. Folhas e flores foram os itens mais consumidos, seguidos pelas sementes. E eles demonstraram forte preferência por certos itens, como frutos maduros e flores. Todas as informações coletadas durante esta pesquisa são muito úteis para compreender o comportamento e o uso do habitat desses animais e também para aprimorar as decisões relativas aos esforços de conservação local da espécie. Palavras-chave: drone térmico; inventário florestal; fenologia; monitoramento comportamental
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ROBBI, Beatriz. Ecology of southern muriquis (Brachyteles arachnoides) in the Área de Proteção Ambiental Barreiro Rico, São Paulo, Brazil. 2026. 76 f. Tese (Doutorado em Ecologia) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2026.
