Sociabilidade e percepção de discriminação por adultos mais velhos e pessoas idosas: um estudo transversal brasileiro

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Universidade Federal de Viçosa

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O envelhecimento populacional é uma realidade global e brasileira. O incremento percentual de pessoas idosas nas mais diversas populações pelo mundo tem trazido impactos e consequências antes desconhecidas pelas sociedades, quais sejam nos sistemas previdenciários, de saúde ou nas relações intergeracionais. Buscando compreender alguns aspectos relacionados ao envelhecimento, este estudo investigou a relação entre a percepção de discriminação e a participação em atividades de sociabilidade, formação, engajamento social e trabalho voluntário em indivíduos com 50 anos e mais, utilizando dados da primeira onda do ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso, 2015–2016). Trata-se de um estudo transversal, realizado com dados secundários disponibilizados pelo banco de dados do ELSI- BRASIL. Foram consideradas como variáveis dependentes a discriminação percebida no local de residência e a discriminação no último ano. As variáveis independentes foram perguntas relacionadas às atividades de formação, socialização, engajamento social e realização de trabalho voluntário. Foi realizada análise descritiva. A análise das frequências foi conduzida utilizando o teste Qui- quadrado de Pearson com correção de Rao-Scott, considerando o desenho amostral complexo do estudo. Para avaliar a associação entre a participação em atividades e a percepção de discriminação no local de moradia e no último ano, foi realizado a regressão de Poisson, na forma bruta e ajustada. As Razões de Prevalência (RP) e os respectivos Intervalos de Confiança de 95% (IC95%) foram estimados separadamente para cada desfecho e exposição. Adotou-se um nível de significância de 5% para todas as análises, que foram realizadas no software Stata/SE, versão 14.0 (https://www.stata.com). Dos 9.306 participantes, 15,4% relataram ter sentido discriminação no último ano e 47,2% disseram existir discriminação contra pessoas mais velhas no local de residência. Apenas 3,4% participavam de alguma atividade de formação, enquanto 95,7% haviam realizado ao menos uma das atividades de socialização no último ano. Relataram ter realizado algum trabalho voluntário 18,3%, e 10,6% disseram ter participado de associações civis ou conselhos nos últimos 12 meses. Observou- se associação positiva entre acreditar existir discriminação no local de moradia e participação em todas as modalidades de atividades analisadas. Contudo, apenas o trabalho voluntário se associou significativamente à autopercepção de discriminação no último ano. Os resultados sugerem que ambientes relacionados ao trabalho, mesmo voluntário, podem ser mais propensos a práticas discriminatórias do que contextos de socialização e aprendizagem. Palavras-chave: discriminação; idadismo; envelhecimento; participação social; ELSI- BRASIL
Population aging is a global and Brazilian reality. The increasing percentage of older adults in diverse populations around the world has brought impacts and consequences previously unknown to societies, particularly in pension systems, health systems and intergenerational relationships. Seeking to understand some aspects related to aging, this study investigated the relationship between the perception of discrimination and participation in activities related to sociability, education, social engagement and volunteer work among individuals aged 50 years and older, using data from the first wave of ELSI-Brasil (Brazilian Longitudinal Study of Aging, 2015–2016). This is a cross-sectional study conducted using secondary data made available by the ELSI-Brasil database. Perceived discrimination in the place of residence and discrimination experienced in the past year were considered as dependent variables. Independent variables consisted of questions related to educational activities, socialization, social engagement and participation in volunteer work. A descriptive analysis was performed. Frequency analysis was conducted using Pearson’s Chi-square test with Rao–Scott correction, considering the complex sampling design of the study. To assess the association between participation in activities and the perception of discrimination in the place of residence and in the past year, Poisson regression was performed in both crude and adjusted models. Prevalence Ratios (PR) and their respective 95% Confidence Intervals (95% CI) were estimated separately for each outcome and exposure. A significance level of 5% was adopted for all analyses, which were performed using Stata/SE software, version 14.0 (https://www.stata.com). Among the 9,306 participants, 15.4% reported having experienced discrimination in the past year, and 47.2% stated that there is discrimination against older adults in their place of residence. Only 3.4% participated in some type of educational activity, while 95.7% had engaged in at least one socialization activity in the past year. A total of 18.3% reported having performed volunteer work and 10.6% stated they had participated in civil associations or councils in the previous 12 months. A positive association was observed between believing that discrimination exists in the place of residence and participation in all types of activities analyzed. However, only volunteer work was significantly associated with the self-perception of discrimination in the past year. The results suggest that environments related to work, even when voluntary, may be more prone to discriminatory practices than contexts of socialization and learning. Keywords: discrimination; ageism; aging; social participation; ELSI-Brazil

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SIQUEIRA, Marcello Rebello Lignani. Sociabilidade e percepção de discriminação por adultos mais velhos e pessoas idosas: um estudo transversal brasileiro. 2026. 51 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ciências da Saúde) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2026.

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