Escore de risco poligênico, crononutrição e risco cardiometabólico em adultos com excesso de peso (PROGRAMA GenON)

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Universidade Federal de Viçosa

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INTRODUÇÃO: Dada a natureza multifatorial da obesidade, compreender a interação entre a predisposição genética, representada pelo escore de risco poligênico (ERP), e fatores comportamentais, incluindo os padrões temporais da alimentação investigados pela crononutrição, é essencial para ampliar a compreensão da variabilidade individual do risco cardiometabólico e contribuir para estratégias nutricionais mais personalizadas. OBJETIVO: Investigar as associações entre o ERP, os comportamentos de crononutrição e os marcadores cardiometabólicos, e avaliar se o ERP modifica a associação entre crononutrição e esses marcadores em adultos com sobrepeso e obesidade. METODOLOGIA: Estudo transversal com dados basais de 113 participantes do Programa GenON (idade: 36,8 ± 8,1 anos; IMC: 33,3 ± 3,33 kg/m²). O ERP não ponderado, calculado para 112 participantes, correspondeu à soma dos alelos de risco de seis polimorfismos dos genes FTO (rs9939609 e rs1121980), MC4R (rs17782313), LEP (rs7799039), LEPR (rs1137101) e CLOCK (rs1801260), segundo o modelo aditivo. A partir de três registros alimentares de 24 horas foram obtidos o horário da primeira e da última refeição, a janela alimentar, o jet lag alimentar e a contribuição calórica noturna. Foram avaliados colesterol total e frações, triglicerídeos, glicose, índice triglicerídeos-glicose, proteína C-reativa ultrassensível, ácido úrico e pressão arterial. Modelos de regressão linear, definidos com auxílio de diagramas acíclicos direcionados, avaliaram as associações e os termos de interação, seguidos de análise dos efeitos condicionais e aplicação da técnica de Johnson-Neyman. As análises foram realizadas no software R, versão 4.5.2, considerando nível de significância de 5%. RESULTADOS: O ERP variou de 0 a 9 pontos, e todos os polimorfismos apresentaram distribuição compatível com o equilíbrio de Hardy- Weinberg. Após ajuste por cor/etnia, sexo e idade, cada ponto adicional no ERP associou-se a uma redução de aproximadamente 10 minutos na janela alimentar. A associação positiva entre ERP e HDL-c, observada nos modelos bruto (B = 2,03; p = 0,008) e ajustado por cor/etnia (B = 1,80; p = 0,021), perdeu significância após inclusão de sexo e idade (B = 1,52; p = 0,051). No modelo com ajuste completo, uma janela alimentar mais longa associou-se à maiores valores de pressão arterial sistólica (B = 1,77; p = 0,026) e diastólica (B = 1,34; p = 0,041). Entretanto, o ERP modificou a associação entre o horário da primeira refeição e o ácido úrico (B = 0,09; p = 0,031), e entre a janela alimentar e o colesterol total (B = -2,71; p = 0,021) e o LDL-c (B = -2,02; p = 0,035). A associação entre horário mais tardio da primeira refeição e maior concentração de ácido úrico tornou-se significativa a partir de ERP igual a 7. Entre participantes com ERP igual a 6, cada hora adicional de janela alimentar associou-se a uma redução média de 6,98 mg/dL no colesterol total; para o LDL-c, as inclinações condicionais não foram significativas. CONCLUSÃO: O ERP apresentou associações limitadas com a crononutrição e o perfil cardiometabólico, mas modificou associações específicas entre a temporalidade alimentar e marcadores cardiometabólicos em adultos com sobrepeso e obesidade. Palavras-chave: snps; nutrigenética; interação gene-ambiente; padrões alimentares temporais; ritmo circadiano
INTRODUCTION: Given the multifactorial nature of obesity, understanding the interaction between genetic predisposition, represented by the polygenic risk score (PRS), and behavioral factors, including temporal eating patterns investigated through chrononutrition, is essential to improve the understanding of individual variability in cardiometabolic risk and contribute to more personalized nutritional strategies. OBJECTIVE: To investigate the associations between PRS, chrononutrition behaviors, and cardiometabolic markers, and to assess whether PRS modifies the association between chrononutrition and these markers in adults with overweight and obesity. METHODS: This cross-sectional study used baseline data from 113 participants in the GenON Program (age: 36.8 ± 8.1 years; BMI: 33.3 ± 3.33 kg/m²). The unweighted PRS, calculated for 112 participants, corresponded to the sum of risk alleles from six polymorphisms in the FTO (rs9939609 and rs1121980), MC4R (rs17782313), LEP (rs7799039), LEPR (rs1137101), and CLOCK (rs1801260) genes, according to the additive model. Based on three 24-hour dietary records, the timing of the first and last meals, eating window, eating jet lag, and nighttime caloric contribution were obtained. Total cholesterol and its fractions, triglycerides, glucose, the triglyceride-glucose index, high-sensitivity C-reactive protein, uric acid, and blood pressure were assessed. Linear regression models, defined with the aid of directed acyclic graphs, evaluated the associations and interaction terms, followed by conditional effects analysis and application of the Johnson-Neyman technique. Analyses were performed using R software, version 4.5.2, with a significance level of 5%. RESULTS: The PRS ranged from 0 to 9 points, and all polymorphisms showed distributions consistent with Hardy-Weinberg equilibrium. After adjustment for race/ethnicity, sex, and age, each additional point in the PRS was associated with an approximately 10-minute reduction in the eating window. The positive association between PRS and HDL-c observed in the crude model (B = 2.03; p = 0.008) and the model adjusted for race/ethnicity (B = 1.80; p = 0.021) lost statistical significance after the inclusion of sex and age (B = 1.52; p = 0.051). In the fully adjusted model, a longer eating window was associated with higher systolic blood pressure (B = 1.77; p = 0.026) and diastolic blood pressure (B = 1.34; p = 0.041). However, PRS modified the association between first meal timing and uric acid (B = 0.09; p = 0.031), as well as between eating window and total cholesterol (B = 2.71; p = 0.021) and LDL-c (B = 2.02; p = 0.035). The association between later first meal timing and higher uric acid concentration became significant at a PRS of 7 or higher. Among participants with a PRS of 6, each additional hour in the eating window was associated with a mean reduction of 6.98 mg/dL in total cholesterol; for LDL-c, the conditional slopes were not statistically significant. CONCLUSION: PRS showed limited associations with chrononutrition and the cardiometabolic profile but modified specific associations between meal timing and cardiometabolic markers in adults with overweight and obesity. Keywords: snps; nutrigenetics; gene-environment interaction; temporal eating patterns; circadian rhythm

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FONSECA, Polimar Ferreira. Escore de risco poligênico, crononutrição e risco cardiometabólico em adultos com excesso de peso (PROGRAMA GenON). 2026. 114 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Nutrição) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2026.

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