Ecologia de Mimosa Pogocephala benth. (Fabaceae), uma espécie endêmica dos Campos Rupestres do estado de Minas Gerais

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Universidade Federal de Viçosa

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O Quadrilátero Ferrífero (QF) está situado na porção sul da Cadeia do Espinhaço, que corta o estado de Minas Gerais no sentido norte-sul, possui relevo estrutural e paisagem fortemente controlada pela resistência das rochas quartzíticas e itabiríticas entremeadas de xistos e filitos e que formam a “moldura” quadrangular desta região constituindo uma feição geomorfopedológica rara no planeta, de grande interesse para a sociedade. Tal formação comporta ambientes naturais diversos - florestais e campestres - os quais são encontrados lado a lado, colonizados por plantas distintas, raras, endêmicas e de distribuição geográfica restrita. Vários pesquisadores vêm estudando a vegetação do QF e confirmando a sua singularidade ecológica. Alternam-se, na sua superfície, afloramentos de quartzitos e itabiríticos que proporcionam uma surpreendente variação da paisagem, ora com cristas e escarpas rugosas típicas dos primeiros, ocupadas por plantas de ambientes rupestres, ora com montanhas arredondadas e superfície uniforme, forradas por plantas herbáceas e arbustivas mais homogêneas que formam um tapete contínuo. A espécie Mimosa pogocephala Benth. (Fabaceae), considerada por alguns autores como endêmica de canga e itabirito do Quadrilátero Ferrífero é aqui apresentada sob uma abordagem ecológica, fundamentada na análise de dados referentes a levantamentos de campo realizados em três unidades de conservação de diferentes categorias – duas propriedades da empresa Vale S/A, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e uma propriedade destinada a proteção ambiental e também em um Parque Estadual de Minas Gerais, situados no Quadrilátero Ferrífero, MG: RPPN Córrego Seco, Reserva de Capivary II e Parque Estadual da Serra do Rola Moça (PESRM). O presente estudo teve como objetivo avaliar os aspectos ambientais, dos locais de registros de Mimosa pogocephala Benth., relacionados à cobertura vegetal e características edáficas, e como hipótese, relacionar o endemismo de Mimosa pogocephala Benth. aos diferentes complexos rupestres existentes em Minas Gerais e não somente ao Campo Rupestre Ferruginoso. Nos locais onde a espécie foi registrada a cobertura vegetal foi classificada como Cerrado Campo Sujo – Campo Rupestre Quartzítico e Campo Rupestre Ferruginoso. A composição fitossociológica da vegetação de portes arbustivo e herbáceo foi determinada através da implantação de parcelas distribuídas conforme a ocorrência de Mimosa pogocephala Benth. e caracterizada através da determinação da composição de espécies, quantidade de indivíduos, diâmetro na altura do solo, altura e grau de cobertura. As características edáficas de cada área foram definidas a partir de um perfil de solo representativo, de análises de parâmetros físicos e químicos do solo e da aferição de profundidade do solo em cinco pontos diferentes estabelecidos em quatro parcelas amostrais demarcadas em cada área de estudo. Os ambientes estudados apresentaram solos medianamente rasos classificados como: Neossolo Litólico Distrófico típico (RPPN Córrego Seco); Neossolo Litólico Húmico típico (Reserva de Capivary II) e Plintossolo Pétrico Concrecionário típico (Parque Estadual da Serra do Rola Moça). As relações da composição florística e fitossociológica entre as áreas estudadas foram avaliadas através de uma análise multivariada utilizando a distância de dissimilaridade de bray-curtis. As características dos solos nas áreas estudadas foram interpretadas através de uma análise de componentes principais (PCA), teste de kruskal-Wallis para as variáveis do solo não paramétricas e teste de Mann- Whitney utilizando a correção de Bonferroni para avaliação das diferenças significativas. Utilizamos as principais variáveis encontradas para avaliar as correlações existentes em relação a abundância das espécies vegetais encontradas em cada parcela amostrada a partir de uma análise de correspondência canônica (CCA). Utilizando análises de correlação avaliamos a abundância e altura dos indivíduos de Mimosa pogocephala Benth. entre si e sua dominância absoluta por parcela em relação a dominância absoluta por parcela das espécies vegetais registradas em todas as parcelas amostradas e em relação aos resultados das análises de correspondência canônica (CCA). As análises foram realizadas utilizando o programa R. A espécie Mimosa pogocephala Benth. foi registrada em todas as parcelas amostrais do presente estudo e em áreas de formações Quartzíticas e Ferríferas em altitudes que variaram entre 1380 e 1501 m. Os resultados obtidos neste estudo indicaram que Mimosa pogocephala Benth. não é endêmica da canga ferruginosa e a importância de se ampliar as pesquisas relacionadas à espécie. Palavras-chave: Canga ferruginosa.; Campo Rupestre Quartzítico. ; Quadrilátero Ferrífero.; Endemismo.
The Iron Quadrangle (IQ) is located in the southern region of the Espinhaço mountain range, which crosses the Brazilian state of Minas Gerais from north to south. Its structural relief is formed by quartzite and itabirite rocks interspersed with schists and phyllites that form the quadrangular “frame” of the region, which is a rare geomorphopedological feature that supports diverse natural environments. Forests and fields are found side by side, colonized by rare and endemic plants. Past research in the IQ has confirmed its ecological uniqueness. Alternating surface outcrops of quartzite and itabirite produce a varied landscape of ridges and steep cliffs occupied by plants well-adapted to rupestrian environments, as well as rounded mountains covered by herbaceous plants that form a continuous carpet. Mimosa pogocephala Benth. (Fabaceae), considered by some authors as being endemic to canga (ecosystems associated with superficial iron crusts) and itabirite of the IQ, is presented here using an ecological approach based on data analysis from field surveys carried out in three conservation units of different categories – two properties of the company Vale S/A, a Private Reserve of Natural Heritage (RPPN) and conservation reserves in a state park of Minas Gerais located in the IQ: RPPN Córrego Seco, Reserva de Capivary II and Serra do Rola Moça State Park (PESRM). This study aimed to evaluate environmental aspects of the sites where Mimosa pogocephala Benth. has been reported, mainly associated with vegetation cover and edaphic characteristics. The hypothesis tested was that Mimosa pogocephala Benth. is endemic to different rock complexes in the state of Minas Gerais, Brazil, and not only to ironstone rupestrian field. The vegetation cover was classified as Cerrado Campo Sujo – quartzitic rupestriane field and lateritic rupestriane field. The phytosociological composition of shrubs and herbs was determined through surveys of plots in which Mimosa pogocephala Benth. occurs, and characterized in terms of species composition, number of individuals, stem diameter at soil height, height and degree of cover. The edaphic characteristics of each site were defined using representative soil profiles, physical and chemical soil characteristics and soil depth at five points in four sample plots from each study area. The study sites contained moderately shallow soils classified as litholic neosols typical dystrophic (RPPN Córrego Seco); litholic neosol typical humic (Capivary II Reserve) and petric plinthosol typical concretionary (Serra do Rola Moça State Park). The floristic and phytosociological relationships between study sites were evaluated using multivariate analysis of Bray-Curtis dissimilarities. Soil characteristics were summarized using principal component analysis (PCA). Kruskal-Wallis tests were run for non-parametric soil variables and Mann-Whitney tests using Bonferroni correction to evaluate significant differences. We evaluated correlations between the abundance of plant species found in each plot sampled using a canonical correspondence analysis (CCA). A correlation analysis was used to evaluate abundance and height of Mimosa pogocephala Benth. individuals and their absolute dominance per plot in relation to the absolute dominance per plot of plant species from all sampled plots, and in relation to the results of the canonical correspondence analysis (CCA). Analyses were performed in R. Mimosa pogocephala Benth. was recorded in all sample plots and in areas of quartzitic and iron formations from 1380 to 1501 meters. These results indicate that Mimosa pogocephala Benth. is not endemic to the ferruginous ironstone canga, underscoring the importance of expanding research related to this species. Keywords: Canga. ; Quartzitic Rupestrian Field. ; Iron Quadrangle. ; Endemism.

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Citation

MORAIS, Rúbio Oliveira. Ecologia de Mimosa Pogocephala benth. (Fabaceae), uma espécie endêmica dos Campos Rupestres do estado de Minas Gerais. 2022. 121 f. Dissertação (Mestrado em Botânica) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2022.

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