Bactérias endofíticas de seringueira da floresta amazônica promovem o controle de fungos fitopatogênicos da soja

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Universidade Federal de Viçosa

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A soja ( Glycine max (L.) Merr.) é uma das culturas agrícolas mais relevantes do mundo, mas sua produtividade é severamente afetada por doenças fúngicas, como antracnose, mofo- branco, rizoctoniose e mancha-alvo. O controle dessas enfermidades baseia-se majoritariamente no uso de fungicidas sintéticos, cuja eficácia tem diminuído devido ao surgimento de populações resistentes, além dos impactos ambientais associados ao uso intensivo desses insumos. Nesse cenário, o controle biológico surge como alternativa sustentável, destacando-se o potencial de bactérias endofíticas capazes de colonizar tecidos vegetais e suprimir fitopatógenos por diferentes mecanismos. O presente trabalho teve como objetivo avaliar quatro isolados de Bacillus sp. e um isolado de Paenibacillus sp. endofíticos de Hevea brasiliensis nativa da Amazônia quanto ao antagonismo contra quatro importantes patógenos fúngicos da soja: Colletotrichum truncatum, Sclerotinia sclerotiorum, Rhizoctonia solani e Corynespora cassiicola. Os isolados foram avaliados quanto ao antagonismo mediado por compostos orgânicos voláteis (COVs), compostos difusíveis e capacidade de biocontrole da antracnose da soja in planta. Adicionalmente, o volatiloma dos cinco isolados foi caracterizado por GC–MS (Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massas) permitindo a identificação putativa de COVs com potencial bioativo. Todos os isolados apresentaram antagonismo significativo via COVs contra os quatro patógenos, com destaque para 174B28R_AM e 201B16R_AC, que atingiram índices de inibição superiores a 80% para a maioria dos fungos. A análise volatilômica revelou assinaturas químicas distintas entre os isolados, incluindo alcanos ramificados, aromáticos, fenilpropanóides, pirazinas, terpenos e compostos sulfurados, classes reconhecidas por sua atividade antifúngica e coerentes com os efeitos observados. No antagonismo por compostos difusíveis contra C. truncatum, todos os isolados reduziram o crescimento micelial, ainda que com menor intensidade quando comparado ao antagonismo via COVs, sugerindo participação de mecanismos distintos em cada modalidade. Nos ensaios in planta, quatro dos cinco isolados reduziram significativamente a severidade da antracnose. O isolado 160B22R_AC apresentou a maior supressão (70,79%), enquanto 174B28R_AM, embora eficiente in vitro, não apresentou efeito protetor in planta. Apenas 201B16R_AC demonstrou fitotoxicidade leve (2,4% de área lesada), possivelmente relacionada ao composto sulfurado dimethyl trisulfide detectado em seu volatiloma. Os resultados demonstram que os isolados avaliados possuem forte potencial de biocontrole, atuando por mecanismos complementares como antagonismo por COVs e antagonismo por compostos difusíveis. A diversidade metabólica observada sugere que esses endófitos representam candidatos promissores para o desenvolvimento de agentes biológicos aplicáveis ao manejo integrado de doenças da soja. Estudos futuros devem investigar o desempenho dos isolados em vagens, avaliar sua capacidade de colonização e explorar seu potencial metabólico e de indução de resistência por abordagens genômicas e transcriptômicas. Palavras-chave: endófitos; Glycine max; controle biológico; compostos orgânicos voláteis; perfil metabólico; volatiloma; floresta amazônica; antracnose.

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VILHENA, Lorenzo de Lima. Bactérias endofíticas de seringueira da floresta amazônica promovem o controle de fungos fitopatogênicos da soja. 2025. 35 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Ciências Biológicas – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2025.

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